Arquivo mensais:abril 2011

De olhos opacos no turbilhão do mundo

do JB

Mauro Santayana

O engenheiro baiano José Carlos Aleluia enviou carta ao Reitor da Universidade de Coimbra, protestando contra a concessão do título de Doutor Honoris-Causa ao operário Luis Inácio da Silva, que, com o apelido afetivo de Lula, presidiu ao Brasil durante oito anos. Sem mandato, Aleluia mantém contatos com seus eleitores, mediante um site na Internet.

Ele foi um oposicionista inquieto, ocupando, sempre que podia, a tribuna, no ataque ao governo passado, dentro da linha sem rumo e sem prumo do DEM. Aleluia considera uma ofensa às instituições acadêmicas o titulo concedido a Lula, e faz referência elogiosa à mesma homenagem prestada ao professor Miguel Reale. Esqueceu-se, é certo, de outros brasileiros honrados pela vetusta universidade, como Tancredo Neves. Não é preciso conhecer a teoria de Freud para compreender a escolha da memória de Aleluia.

O título universitário é, hoje,  licença profissional corporativa. O senhor Aleluia está diplomado para exercer o ofício de engenheiro. A Universidade o preparou para entender das ciências físicas, e é provável que ele seja  profissional competente, tanto é assim que ministra aulas. O título universitário certifica que o graduado estudou tal ou qual matéria, mas não faz dele um sábio. O conhecimento adquirido na universidade é importante, mas não é tudo. Volto a citar, porque a idéia deve ser repetida, os versos de um escritor mais identificado com a direita do que com a esquerda, T.S. Elliot, nos quais ele mostra a diferença entre ser informado, conhecer e saber: Where is the wisdom we have lost in knowledge? Where is the knowledge we have lost in information?

O título de Doutor Honoris-Causa, sabe bem disso o engenheiro Aleluia, não é  licença profissional, mas o reconhecimento de um saber, construído ao longo do tempo, tenha o agraciado ou não freqüentado a universidade. O papel da Universidade não deveria ser o que vem desempenhando – o de conferir certificados de preparação técnica -, mas o de abrir caminho à busca do saber. O Senador Christovam Buarque, com a autoridade de quem foi reitor da UNB, disse certa vez que a Universidade ideal será aquela que não expeça diplomas.

Lula, com os seus defeitos, e não são poucos, é um doutor em política. Um chefe de Estado não administra cifras, não faz cálculos estruturais, não prolata sentenças, nem deve escrever seus próprios discursos. Cabe-lhe liderar os povos e conduzir os estados, e isso dele exige muito mais do que qualquer formação escolar:  exige a sabedoria que desconfia do conhecimento, e o conhecimento que se esquiva das informações não confiáveis.

A universidade é uma instituição relativamente nova na História. Ela não foi necessária para que os homens, com Demócrito, intuíssem a física atômica; com Pitágoras e Euclides, riscassem no solo  figuras geométricas e delas abstraíssem os teoremas matemáticos; e muito menos para que Fídias fosse o genial arquiteto e  engenheiro das obras da Acrópole e o escultor que foi. Mais ainda:  as maiores revoluções intelectuais e sociais do mundo não dependeram das universidades, embora nelas se tenham formado grandes pensadores – e sua importância, como centro de reflexões e pesquisas, seja insubstituível. O preconceito de classe contra Lula sela os olhos de Aleluia e os torna opacos.

Solidário o meu autodidatismo com o de Lula, quero lembrar o grande escritor norte-americano Ralph Waldo Emerson: um talento pode formar-se na obscuridade, mas um caráter só se forma no turbilhão do mundo.

É no turbilhão do mundo que se forma o caráter dos grandes homens.

 

Polícia executa mais uma criança no Rio

Por Revista Consciência.Net em 31/03/2011

Desta vez foi Caíque da Mata dos Santos, de 5 anos, que foi internado nesta quarta (30) à noite no Hospital Getúlio Vargas, na Penha, mas não resistiu. Morreu hoje (31) pela manhã. Ele levou um tiro na barriga durante uma operação do 16º BPM (Olaria) no Morro do Pica-Pau, localizado em Cordovil, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro.

O pai, Rogério Batista dos Santos, de 27 anos, declarou à pouco em entrevista à Rádio Bandnews que somente os policiais atiraram: “Só teve tiro deles. De ninguém mais. Depois, eles deram a volta e colocaram os uniformes”. Os policiais, então uniformizados, entraram num carro modelo Gol da Polícia Militar, cuja placa foi identificada durante entrevista do pai a Ricardo Boechat, da Bandnews, ao vivo.

Segundo a versão de dezenas de testemunhas, três PMs entraram na comunidade do Pica-Pau à paisana vestidos de sorveteiros. Após a fuga de dois suspeitos, os policiais atiraram a esmo e acertaram Caíque, que agora está morto.

PM muda versão sobre incursão

A incursão, segundo a própria PM (informações da quarta-feira), foi ilegal. O batalhão da Polícia Mililtar da região, o 16º BPM, informou desconhecer qualquer operação da unidade na comunidade na tarde da quarta-feira (30).

Depois, a PM mudou a versão do ocorrido. Os agentes teria sido “recebidos a tiros”. O comandante da unidade, o tenente-coronel José Macedo, disse que “não houve revide por parte dos policiais”.

Quase todos os meios, como o portal iGjornal O Globo,jornal O Dia e o portal G1, se limitaram a dar a versão oficial. Apenas o jornalista Ricardo Boechat, da BandNews FM, procurou o pai. Ele questionou, após relatar detalhadamente o caso: “Que merda de operação é essa?”

jornal Extra registrou a entrevista do pai à BandNews. Durante a entrevista, um integrante da Polícia Civil correu para o telefone para informar à BandNews que não tem envolvimento com o caso. O relações públicas da PM, tenente-coronel Henrique de Lima Castro, também ligou para a BandNews para informar que abriu processo investigativo. O jornalista Ricardo Boechat questionou a necessidade de a comunidade ter de ligar para a imprensa para, só então, se instaurada a investigação. “Dá um desconforto, coronel. Dá um desconforto que o Senhor nem imagina”, afirmou Boechat.

Policiais viram criança atingida e não socorreram

A PM afirmou que os policiais “não sabiam” que havia um garoto ferido. Depoimentos de todas as testemunhas da comunidade afirmam justamente o contrário: os PMs ainda puderam olhar o corpo, sem prestar qualquer ajuda, conformou mostrou a TV Record. A mãe afirmou: “Eles entraram na favela, de roupa comum, já dando tiro. Não queria saber se tinha criança, meu filho tava na porta da casa da vó dele, brincando, três policiais disfarçados vieram e deram tiro”.

Após a perícia do Instituto Médico Legal (IML), os familiares organizarão o enterro de Caíque, que dever ocorrer na manhã de sexta-feira (1º).

Vídeo da Record: http://www.consciencia.net/policia-executa-mais-uma-crianca-no-rio/

 

Torturador faz revelações pavorosas sobre repressão no Araguaia

Lucena afirmou ter visto de dez a 15 execuções de guerrilheiros do PC do B no Araguaia, entre elas, a morte de uma jovem identificada por ele como “Sônia”, que foi assassinada pelo hoje major reformado do Exército Sebastião Curió.

O advogado João Lucena Leal, radicado em Rondônia há trinta anos, chocou o Brasil na noite desta quarta-feira, durante entrevista a uma emissora nacional de televisão, com um depoimento frio sobre mortes e torturas durante o regime militar.

Ele também revelou detalhes das operações de que participou para prender a hoje presidente da República, Dilma Rousseff, e o então estudante José Genoíno, que viria a ser presidente nacional do Partido dos Trabalhadores e atualmente é assessor do Ministério da Defesa.

Segundo Lucena, Genoíno não precisou ser torturado. “Fez um acordo com o Exército e entregou, delatou todos os seus companheiros”, disse.

Lucena falou ao jornalista Roberto Cabrini, do programa Conexão Repórter, do SBT. Cabrini veio a Porto Velho para entrevistar aquele que é considerado um dos maiores torturadores ainda vivos do tempo da repressão no Brasil .

Agente da repressão a serviço dos militares que tomaram o poder no País com o golpe de março de 1964, João Lucena Leal foi descrito como o típico homem dos porões da ditadura.

Na entrevista, Lucena descreveu, com tranqüilidade e frieza, o que viu e o que fez com os adversários políticos do regime. “O sujeito amarrado, algemado e o executor puxava o gatilho e matava”, disse ele ao narrar uma das cenas entre as inúmeras das quais presenciou e participou.

Torturava “com nobreza”

Para Lucena, a tortura se justifica “para extrair uma informação ardente”. Fazia parte de seu “trabalho” extrair tais informações dos ativistas políticos. “Eu executava com nobreza”, acrescentou.

Ex-delegado da Polícia Federal, Lucena também é descrito como um torturador profissional. A Roberto Cabrini ele relatou torturas, prisões e mortes das quais diz ter participado.

Mesmo acusado de cometer atrocidades, Lucena disse estar orgulhosos de tudo o que fez.
Com a saúde severamente abalada após um ataque cardíaco e acusado de ser um torturador impiedoso, mesmo assim o homem da repressão diz ter a consciência e um sono tranquilos.

Na entrevista, informou ter apenas um remorso. Foi quando viu o corpo de uma moça de 17 anos morta pelos militares. “Peguei no corpo dela e ainda estava quente. A moça não tinha ideologia nenhuma”.

Em Rondônia, Lucena ficou rico como advogado de traficantes e de notórios assassinos, como o fazendeiro Darli Alves, que matou a tiros, no Acre, o líder seringueiro Chico Mendes.

Ao falar sobre o que considera tortura, Lucena disse que “é um ato de violência contra o próprio irmão”, e acrescentou :”a tortura é praticada em larga escala nas polícias militar e civil do País”.

Mostrando profundo conhecimento no assunto, o advogado disse que, na sua época, o método mais utilizado era o pau de arara, nas suas palavras “um instrumento cruel, devastador, que deixa sequelas. Tem muita gente que não resiste meia hora e conta tudo. Às vezes, é só mostrar o instrumento e ‘ele” (a vítima) abre”.

Sete vítimas vivas

Cearesne, João Lucena Leal estava lotado na Superintendência da Polícia Federal do Ceará quando era agente da repressão. Lá, entre suas incontáveis vítimas, o SBT localizou sete pessoas que dizem ter sido torturadas pelo advogado.

O hoje professor José Auri Pinheiro, professor na época, foi torturado barbaramente por dois dias. Ele reconheceu Lucena durante a entrevista a Roberto Cabrini, que lhe mostrou uma foto do advogado quando ainda era mais novo. “O Lucena é um torturador conhecido aqui no Ceará. Em 1973 fui torturado por ele, que é um sujetio explosivo, impulsivo e malvado, que só falava em matar, em destruir as pessoas”, contou Auri. Segundo ele, Lucena torturava as vítimas “com sadismo, com convicção”.

O hoje arquiteto José Tarcísio Prata foi outro que também relatou sua experiência dolorosa nas mãos de João Lucena Leal. “É um torturador profissional, perverso”, disse.

PCdoB

Lucena afirmou ter visto de dez a 15 execuções de guerrilheiros do PC do B no Araguaia, entre elas a morte de uma jovem identificada por ele como “Sônia”, que foi assassinada pelo hoje major reformado do Exército Sebastião Curió.

No meio da entrevista, João Lucena disse que, no Araguaia, foi preso o então estudante José Genoíno, que viria a ser presidente do Partido dos Trabalhadores e atualmente é assessor do Ministério da Defesa.

Segundo Lucena, Genoíno não foi torturado e fez um acordo para delatar os companheiros de guerrilha. O major Sebastião Curió confirma a afirmação de Lucena sobre o ex-dirigente petista. “O Genoíno não foi torturado e entregou todo mundo”.

Prisão de Dilma

Tanto Curió quanto Lucena participaram das investigações e prisão da hoje presidente Dilma Rousseff. “Ela (Dilma) era uma menina de 17 ou 18 anos de idade que foi presa e levada para a Operação Bandeirantes e entregue ao delegado Fleury (Sérgio Paranhos Fleury, notório torturador”.

Fonte: Tudorondonia.com

 

Perguntas e respostas sobre o programa nuclear brasileiro e a catástrofe que atingiu o Japão

eletronuclear.gov

O acidente ocorrido nas usinas nucleares japonesas suscitou questões sobre os impactos deste evento no programa nuclear brasileiro. Para responder as dúvidas mais freqüentes sobre o tema, a Eletrobras Eletronuclear preparou uma lista de perguntas e respostas, abordando tópicos como a segurança das usinas nucleares no Brasil, as medidas preventivas que poderão vir a ser tomadas em Angra, a perspectiva da energia nuclear na matriz elétrica nacional e a construção de novos reatores. Informações adicionais podem ser encontradas no Guia de Pronta Resposta, disponível em nosso site.

1) Que lições podem ser tiradas do acidente nuclear do Japão? Diante disso, o Brasil vai manter o seu programa nuclear?

Das 54 usinas nucleares em operação no Japão, 14 estão localizadas na região afetada pela catástrofe: 1 na central de Tokai, 3 na central de Onagawa, 4 usinas na central de Fukishima Daini e 6 na central de Fukushima Daiichi.

Essas 14 usinas foram projetadas para esforços provocados por uma aceleração correspondente a 0,3 vezes a aceleração da gravidade, o que corresponderia a um terremoto de 8,2 na escala Richter no local onde ocorreu essa recente catástrofe no Japão, e uma onda tsunami de 5,7 metros.

As usinas sofreram os terríveis efeitos de um terremoto de 9 graus na escala Richter seguido de um tsunami de mais de 10 metros de altura, muito superiores àqueles eventos naturais severos considerados no seu projeto. Apesar disso, 10 das 14 unidades resistiram adequadamente.

Os problemas enfrentados por 4 das 6 usinas da central de Fukushima Daiichi foram originados por danos aos prédios dos diesel-geradores de emergência provocados pelo tsunami, que fizeram com que as unidades perdessem totalmente a alimentação elétrica que garantia o funcionamento dos sistemas auxiliares de resfriamento do reator após seu desligamento.

A primeira lição já aprendida pela catástrofe natural do Japão é que as usinas nucleares são as construções humanas melhor adaptadas a resistir a eventos naturais de severidade milenar, como mostram as 8 unidades das centrais de Onagawa, Fukushima Daini e Tokai, e de 2 das 6 unidades da central de Fukushima Daiichi.

Entretanto, os problemas nas 4 usinas de Fukushima Daiichi indicam ser necessária a aplicação de critérios de projeto mais rigorosos para os prédios auxiliares dessas unidades, similares àqueles aplicados ao prédio do reator.

Essa foi uma recomendação feita pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) já em meados de 2010, ou seja, bem antes do acidente no Japão, para o licenciamento de Angra 3, e que foi prontamente acatada pela Eletrobras Eletronuclear.

Outra lição aprendida é que os critérios de projeto para usinas nucleares localizadas em áreas de alto risco sísmico, especialmente aquelas em zonas costeiras sujeitas a tsunamis, devem ser reavaliados e, eventualmente, reforçados.

Note-se, entretanto, que dentre os 442 reatores em operação no mundo, muito poucos estão localizados em regiões sujeitas a esses riscos elevados: no Japão, há alguns além das 14 unidades afetadas pela catástrofe; 2 ou 3 localizados no sul da Califórnia (EUA); um número reduzido na Bulgária e Romênia; e a usina de Busher, no Irã, que ainda não entrou em operação.

Este, entretanto, não é o caso das usinas brasileiras, que se encontram em locais de baixo risco sísmico e não sujeitos a tsunamis, devido às características geológicas de localização de nosso território.

O Brasil está distante das bordas da placa tectônica em que está localizado e, diferentemente do caso do Japão, a borda da nossa placa que está sob o oceano se afasta da que está adjacente. O fato de as placas do Oceano Atlântico Sul se afastarem, diferentemente das placas do Pacífico Norte, que se chocam, torna fisicamente inviável que, mesmo no caso de um forte terremoto no local, venha a ser formada uma onda tsunami.

Certamente, passada a fase acidental que ainda vivemos, a análise técnica profunda do evento levará a muitas outras lições aplicáveis a todas as 440 usinas nucleares em operação no mundo, bem como às 52 que se encontram em construção e àquelas centenas que estão em projeto, aperfeiçoando a segurança num processo de melhoria contínua. Isso acontece sistematicamente na indústria nuclear toda vez que há acidentes graves, como foi no caso de Three Miles Island, em 1979, nos EUA, e de Tchernobyl, em 1986, na ex-URSS.

Demandas por ações imediatas no sentido de desligar usinas nucleares em operação ou interromper as obras das unidades em construção e os planos para novas usinas são precipitadas. Motivações de natureza política e ideológica, as quais, ainda que legítimas nas sociedades democráticas, não encontram fundamento técnico que as suportem e são reforçadas pelo uso oportunista da forte emoção provocada na sociedade.

O custo em vidas humanas decorrentes dos acidentes ocorridos dentro das casas, edifícios, refinarias de petróleo, indústrias químicas e demais instalações também severamente afetadas de imediato pelo terremoto e depois agravadas pelo tsunami – que já chega à casa das dezenas de milhares, sendo muito superior às conseqüências do acidente nuclear – não tem provocado demandas similares por mudar os hábitos de moradia e de trabalho das pessoas, nem interromper as demais atividades industriais.

Isso, entretanto, tem sido feito insistentemente por alguns grupos de pressão política com relação à indústria nuclear, que até o momento (30/03/2011) somente provocou 35 acidentes de trabalho, tendo somente 1 caso de morte, e 22 casos de contaminação de trabalhadores das usinas, sendo somente 2 considerados graves, conseqüências mínimas quando se compara o pesado custo humano decorrente da catástrofe com um todo.

Mesmo no contexto de toda essa tragédia que se abateu sob o Japão, 10 das 14 usinas localizadas na região afetada permanecerem em condição segura, não implicando em nenhuma conseqüência adicional às populações já atingidas pela catástrofe natural.

Aquelas 4 usinas que não resistiram plenamente tiveram suas consequências mitigadas pelo acionamento de um plano de emergência externo que está protegendo as populações evacuadas das liberações limitadas ocorridas e as protegeria mesmo para as condições em que viesse a ocorrer o pior caso possível de liberação de material radioativo. Vale ressaltar que isso não aconteceu até o presente (30/03/2011), e as informações atuais indicam claramente que não ocorrerá.

A maior demonstração de que demandas por desligamento de usinas em operação ou suspensão de obras de usinas em construção e de projetos novos têm motivações exclusivamente políticas é dada pelo próprio Japão.

Mesmo diante da grande crise que atravessam, o governo e a sociedade civil japonesa não se posicionaram no sentido de desligar as demais 40 usinas nucleares que o país tem em operação (são 54 no total), suspender as obras das 3 usinas que estão em construção, nem cancelar as 12 usinas que estão planejadas, já com contratos firmados. Muito provavelmente, a geração elétrica nuclear permanecerá como uma das mais importantes contribuições à matriz energética japonesa.

Obviamente, esses poucos argumentos não encerram o debate. Nas sociedades democráticas, como a brasileira, ele está apenas se iniciando e deverá resultar numa indústria nuclear ainda mais segura.

Até o momento (30/03/2011), nenhuma nuvem radioativa que pudesse representar ameaça real à população saiu de Fukushima Daiichi, mas a nuvem política e econômica já alcançou todos os países.

Devemos, portanto, nos precaver de decisões precipitadas, tomadas pelo calor da emoção ou por oportunismo, que venham a prejudicar as próprias sociedades às quais se pretende defender, como seria o caso de uma “proscrição” da geração elétrica nuclear, com paralisação de usinas em operação, interrupção de unidades em construção e de projetos em planejamento.

Logo, podemos afirmar que o acidente nuclear no Japão não implica em elementos objetivos que possam alterar os rumos atuais do Programa Nuclear Brasileiro, a não ser a incorporação das lições técnicas que estão sendo aprendidas, que aperfeiçoarão sua segurança num processo de melhoria contínua.

2) Nossas usinas são seguras?

As usinas brasileiras, bem como as demais 440 usinas que operam em 31 países são provavelmente tão seguras quanto as 10 das 14 usinas japonesas localizadas na região afetada pela catástrofe, que foram submetidas a um terremoto seguido de tsunami com severidade muito superior ao que elas foram projetadas e resistiram a essas forças titânicas da natureza.

As usinas nucleares brasileiras são projetadas para resistir esforços provocados por uma aceleração correspondente a 0,1 vezes a aceleração da gravidade, o que corresponderia a um terremoto de 6,5 Richter, e uma onda de 4 metros. Esses valores excedem em muito os piores cenários que poderiam ocorrer no Brasil e sabe-se, pela experiência japonesa, que as usinas na prática podem resistir a esforços muitas vezes superiores àqueles para qual foram projetadas.

Outro ponto relevante refere-se à cota de implantação das usinas em relação ao nível do mar. As usinas brasileiras são implantadas em elevações superiores às unidades 1, 2, 3 e 4 da central de Fukushima Daiichi (3.5 metros), justamente aquelas que foram afetadas pelo tsunami.

Note-se que as unidades 5 e 6, localizadas um pouco distantes das outras 4 e em cotas mais elevadas (4,8 metros), resistiram plenamente à catástrofe. Angra 1 e Angra 2 são implantadas a 5 metros e Angra 3, a 6 metros. Além disso, o quebra-mar de nossas usinas atinge a cota de 8 metros.

Outro aspecto importante refere-se às tecnologias das usinas. As 14 usinas japonesas localizadas na região afetada pela catástrofe natural são do tipo BWR, ou seja reator a àgua fervente (boiling water reactor). As usinas brasileiras são do tipo PWR, ou seja, reator de água pressurizada (pressurized water reactor).

A tecnologia BWR compõe somente 21% da frota mundial de usinas nucleares, enquanto a PWR corresponde a 61% desta frota mundial. Os restantes 18% da frota são compostos por reatores a água pesada (10%) e a grafite (8%), tecnologias cuja aplicação industrial está em acelerada decadência, sem novas construções em andamento.

Os PWR são dotados de dois circuitos independentes e fisicamente isolados para resfriamento do reator e geração de vapor. Neles é possível promover o resfriamento do reator em circulação natural, sem necessidade de bombas, por algumas horas após uma perda total de alimentação elétrica, que foi o problema que ocorreu em 4 das 14 usinas afetadas pela catástrofe natural no Japão.

A excelência da segurança operacional dos PWR é reafirmada pelo fato dele ser a opção tecnológica preferencial para a propulsão de submarinos nucleares, cujos critérios de projeto adotados para atender aos requisitos operacionais militares são muito mais exigentes.

As marinhas de todos os países que operam ou estão projetando submarinos nucleares, inclusive o Brasil, adotam a tecnologia PWR. A tecnologia BWR é totalmente descartada para essa aplicação, que implica submeter a instalação nuclear a severos carregamentos decorrentes de seu uso em combate naval.

3) Que medidas adicionais o Brasil após a tragédia do Japão em relação a Angra?

A Eletrobras Eletronuclear, empresa responsável pela operação das usinas Angra 1 e Angra 2, pela construção de Angra 3 e pelos estudos para novas usinas, acompanha atentamente as medidas adicionais que já estão sendo propostas por diversos organismos nacionais e internacionais e implementando-as onde elas se mostram aplicáveis.

No momento, a Eletrobras Eletronuclear está executando uma série de verificações de segurança requeridas pela Associação Mundial de Operadores Nucleares (Wano), à qual ela faz parte, que serão concluídas até 13 de maio, dentro do prazo estabelecido.

Isto equivale ao chamado “teste de estresse” ao qual serão submetidas as usinas nucleares de países da Europa por determinação da Comunidade Europeia, conforme vem sendo divulgado pela mídia.

Independente e previamente ao acidente no Japão, a Eletronuclear já vinha desenvolvendo estudos de melhoria da segurança das usinas e do Plano de Emergência Externo nos últimos anos.

Como exemplo dessas melhorias, que com o acidente passarão a ser tratadas com elevada prioridade, são estudos para implantação de uma pequena central hidrelétrica (PCH) na região de Angra dedicada à alimentação elétrica das usinas no caso de perda total de todos os 12 diesel-geradores já existentes, hipótese improvável, mas que ocorreu no Japão devido à catástrofe natural inédita, mesmo para um país de elevado risco (o que não é o caso do Brasil).

Outro exemplo são estudos para implantação de 4 cais marítimos e diversas quadras polidesportivas que possam vir a servir como helipontos, dentro da Zona de Planejamento de Emergência, o permitirá complementar o processo de evacuação da população local por mar e das pessoas com necessidades especiais por ar, agilizando e dando maior flexibilidade ao plano de emergência.

4) Como a energia nuclear está sendo considerada no planejamento energético brasileiro? Ela deve ganhar mais espaço na matriz energética do país?

As necessidades de geração de emprego e renda e as carências em educação, saúde, moradia, saneamento básico e transporte de massa da sociedade brasileira, que é 80% urbana, são bem conhecidas e se refletem no nosso PIB e IDH. Todas as políticas públicas para vencer estes grandes desafios requerem aumento no consumo de eletricidade.

Nosso consumo atual é de pouco mais de 2.000 kWh/ano por brasileiro e é menor que a média mundial. Está muito abaixo do patamar de 4.000 kWh/ano que caracteriza o mínimo dos países desenvolvidos, cujo IDH é superior a 0,9. É bem menor do que Chile e Argentina e menos da metade dos países de desenvolvimento recente, como Portugal (4.500), Espanha (5.600) e Coréia do Sul (6.400).

Este é um sintoma da imensa demanda reprimida do nosso povo, que não existe nos países desenvolvidos. Para eles, o grande desafio é a eficiência energética e a renovação do parque gerador para cumprir metas de redução de CO2.

O esforço de gerações de brasileiros construiu um formidável parque hidrelétrico. A maior parte desta energia limpa, barata e renovável foi construída em regiões onde a topografia era favorável a grandes reservatórios, minimizando o risco devido às sazonalidades do clima.

O progressivo aumento da demanda e condicionantes socioambientais cada vez mais restritivas têm feito com que o estoque de água nos reservatórios tenha se mantido quase constante desde meados dos anos 90, trazendo a crescente necessidade de complementação térmica para garantir a segurança do abastecimento, lição duramente aprendida no apagão de 2001.

Poderíamos dobrar nossa potência hidrelétrica atual tratando com muita racionalidade a questão socioambiental. Mas essa potência adicional não irá gerar a mesma quantidade de energia do parque existente, pois será composta por usinas a fio d’água, com pequenos reservatórios.

Para atingir o patamar mínimo de país desenvolvido, precisaremos aproveitar todo este potencial e expandir muito o parque eólico e de biomassa. Entretanto, só isso não será suficiente. Complementar a geração continua na base do sistema e regular as sazonalidades intrínsecas às renováveis irá requerer algo como 15 usinas térmicas de 1.000 MW adicionais.

Para a parcela desta complementação que operará na base, a geração nuclear e a carvão são aquelas de menor custo. Porém a nuclear é a única que não implica emissão de CO2 e cujo combustível pode ser 100% nacional. Para a outra parcela que regula sazonalidades, o gás natural e o petróleo continuarão sendo indispensáveis.

A experiência obtida no projeto, construção e operação de Angra 1, 2 e 3 e uma das maiores reservas de urânio do mundo, com potencial energético comparável ao pré-sal, somadas ao domínio tecnológico do ciclo do combustível, fazem com que a energia nuclear no Brasil seja uma contribuição para a matriz energética brasileira difícil de ser descartada.

Isto torna do maior interesse nacional uma ampla discussão no seio da sociedade, similar à do pré-sal, para definição das modalidades adequadas de exploração do urânio e da geração nuclear que permitam garantir auto-suficiência e retorno social sustentável ao país.

Com investimento, planejamento, tecnologia e adequada gestão de todas as reservas nacionais, renováveis e não renováveis, nelas incluída a energia nuclear, nosso país poderá desfrutar neste século XXI de ampla segurança energética, gerando excedentes exportáveis, e finalmente atingir o nível de desenvolvimento que todos desejamos.

5) Como está o processo de aprovação das construções de novas usinas nucleares anunciadas pelo senhor no início do ano? Onde elas seriam instaladas?

A partir das diretrizes de planejamento estabelecidas pelo Plano Nacional de Energia 2030 (PNE 2030), que considera a expansão da oferta nuclear neste horizonte em 4.000 MW, sendo 2.000 MW na Região Nordeste e 2.000 MW na Região Sudeste, a Eletrobras Eletronuclear deu início ao procedimento de seleção de locais candidatos para as futuras centrais nucleares brasileiras.

Inicialmente o foco foi na região compreendida pelo litoral entre Recife e Salvador, dois maiores centros de carga da Região Nordeste e o vale dos grandes rios que desembocam nesse litoral, conforme orientação do PNE 2030 e a atual configuração da rede básica do Sistema Interligado Nacional (SIN).

A metodologia de seleção de local é organizado em 3 etapas, sendo a primeira a identificação de áreas candidatas, ou seja, aquelas que passam pelos 20 critérios de exclusão e evitação estabelecidos.

Essa primeira etapa foi concluída para a região inicialmente estudada e posteriormente, os trabalhos dessa etapa, já totalmente informatizados através do desenvolvimento de um sistema de informações geográficas, foram estendidos a todo o território nacional, como subsídio aos estudos de revisão para o Plano Nacional de Energia 2035, em execução pela EPE.

No momento, a Eletrobras Eletronuclear, em conjunto com a EPE, está finalizando um atlas do potencial nuclear brasileiro, onde são identificadas 40 áreas em todo o território nacional que poderiam vir a localizar futuras centrais nucleares. Esse atlas será apresentado ao Ministério de Minas e Energia (MME) para aprovação e divulgação em breve.

Com base no atlas, que identifica as áreas potenciais em todo território nacional, e na revisão do PNE 2035, que identificará o atual planejamento de expansão da oferta nuclear (potência nuclear adicional, subsistema elétrico regional onde essa potência será incluída e cronograma de implantação), serão selecionadas as áreas que passarão à segunda etapa do procedimento de seleção de local.

Nesta segunda etapa serão aprofundados os estudos de local e identificados sítios específicos tecnicamente adequados para localização das futuras centrais nucleares brasileiras. Finalizada esta segunda etapa, a Eletrobras Eletronuclear apresentará cardápio de opções de localização tecnicamente otimizadas, que deverá ser objeto de avaliação e escolha pelo governo.

 

Sugiro também a leitura do artigo disponível no endereço: http://www.eletronuclear.gov.br/noticias/integra.php?id_noticia=1022

 

 

Brasil está se tornando uma potência científica, diz relatório

Estudo afirma que há avanços em áreas específicas da ciência em alguns países, como a de biocombustíveis no Brasil

BBC Brasil29/03/2011 16:36

Um relatório divulgado na Grã-Bretanha indica que o Brasil e outros países emergentes, liderados pela China, estão despontando como grandes potências na área de produção de estudos científicos, capazes de rivalizar com países que têm tradição nessa área, como os Estados Unidos, nações da Europa Ocidental e o Japão.

De acordo com o estudo feito pela Royal Society, a academia nacional de ciência britânica, São Paulo subiu para do 38º para o 17º lugar na lista de cidades com mais publicações científicas no mundo, o que “reflete o rápido crescimento da atividade científica brasileira”.

A representatividade dos estudos brasileiros teve leve aumento: entre 1999 e 2003, eles equivaliam a 1,3% do total de pesquisas científicas globais. Entre 2004 e 2008, essa porcentagem subiu para 1,6.

Mas “as reduções significativas no orçamento de ciência em 2011 levantam preocupações”, diz o relatório. Em meio aos cortes de R$ 50 bilhões,anunciados pelo governo no orçamento federal, o Ministério de Ciência e Tecnologia deve perder R$ 1,7 bilhão.

China
O relatório, chamado Conhecimento, Redes e Nações: A Colaboração Científica no Século 21,  analisa a publicação de trabalhos científicos por país no período entre 1996 e 2008.

Segundo o levantamento, o desempenho da China é ”particularmente notável” – a publicação de documentos científicos do país superou as do Japão e da Europa nos últimos anos.

O país asiático só é ultrapassado pelos Estados Unidos, mas deve superá-los antes de 2020, se a atual tendência continuar.

Em 1996, os Estados Unidos tinham produção científica dez vezes maior que a chinesa; hoje, sua produção, com crescimento menor, não chega a ser o dobro da do país asiático.

No entanto, o relatório diz que ”ainda demorará algum tempo para que a produção dessas nações emergentes esteja à altura de ser uma referência para a comunidade científica internacional”, ressalta a pesquisa.

Áreas específicas

O estudo diz que há avanços em áreas específicas da ciência em alguns países, entre eles o Brasil.
”Existe diversificação de alguns países demonstrando lideranças em setores específicos, como a China em nanotecnolgia, e o Brasil em biocombustíveis, mas as nações avançadas do ponto de vista científico continuam a dominar a contagem de citações”.

A pesquisa também identificou nações emergentes no campo da ciência que não costumam ser associadas a uma base científica forte, como o Irã, a Tunísia e a Turquia.

As projeções feitas pelo relatório “sugerem que o sistema científico global está se desvencilhando de seu padrão anterior”.

“China e Coreia do Sul cumprem com suas ambiciosas metas de investimento em pesquisa e desenvolvimento, enquanto economias como Brasil e Rússia também prometem recursos substancialmente maiores para pesquisas.”

Com isso, é possível que nações emergentes – Brasil incluído – superem os investimentos de países como Japão e França no setor.

 

 

Urânio empobrecido, uma estranha forma de proteger os civis líbios

Carta Maior

Nas primeiras 24 horas de bombardeios a Libia, os aliados gastaram 100 milhões de libras esterlinas em munição dotada de ponta de urânio empobrecido. Trata-se de um resíduo do processo de enriquecimento de urânio que é utilizado nas armas e reatores nucleares, sendo uma substância muito valorizada no exército por sua capacidade para atravessar veículos blindados e edifícios. Esse urânio empobrecido pode causar danos renais, câncer de pulmão, câncer ósseo, problemas de pele, transtornos neurocognitivos, danos genéticos em bebês e síndromes de imunodeficiência, entre outras doenças. O artigo é de David Wilson.

David Wilson – Stop the War Coalition

Data: 27/03/2011

Stop the War Coalition

“Os mísseis que levam pontas dotadas de urânio empobrecido se ajustam à perfeição à descrição de uma bomba suja…Eu diria que é a arma perfeita para assassinar um monte de gente”.
Marion Falk, especialista em física e química (aposentada), Laboratório Lawrence Livermore, Califórnia (EUA).

Nas primeiras vinte e quatro horas do ataque contra a Líbia, os B-2 dos EUA lançaram 45 bombas de 2 mil libras de peso cada uma (um pouco menos de uma tonelada). Estas enormes bombas, junto com os mísseis de cruzeiro lançados desde aviões e navios britânicos e franceses, continham ogivas de urânio empobrecido.

O DU (urânio empobrecido, na sigla em inglês) é um resíduo do processo de enriquecimento de urânio que é utilizado nas armas e reatores nucleares. Trata-se de uma substância muito pesada, 1,7 vezes mais densa que o chumbo, muito valorizada no exército por sua capacidade para atravessar veículos blindados e edifícios. Quando uma arma que leva uma ponta de urânio empobrecido golpeia um objeto sólido, como uma parte de um tanque, penetra através dele e depois explode formando uma nuvem quente de vapor. Esse vapor se transforma em um pó que desce ao solo e que é não só venenoso, mas também radioativo.

Um míssil com urânio empobrecido quando impacta algo sólido queima a 10.000°C. Quando alcança um objetivo, 30% dele fragmentam-se em pequenos projéteis. Os 70% restantes se evaporam em três óxidos altamente tóxicos, incluído o óxido de urânio. Este pó negro permanece suspenso no ar, e dependendo do vento e das condições atmosféricas pode viajar a grandes distâncias. Se vocês pensam que Iraque e Líbia estão muito distantes, lembrem-se que a radiação de Chernobyl chegou até Gales.

É muito fácil inalar partículas de menos de 5 micra de diâmetro, que podem permanecer nos pulmões ou em outros órgãos durante anos. Esse urânio empobrecido inalado pode causar danos renais, câncer de pulmão, câncer ósseo, problemas de pele, transtornos neurocognitivos, danos genéticos, síndromes de imunodeficiência e estranhas enfermidades renais e intestinais. As mulheres grávidas expostas ao urânio empobrecido podem dar à luz a bebês com deformações genéticas. Uma vez que o pó se vaporiza, não cabe esperar que o problema desapareça. Como emissor de partículas alfa, o DU tem uma vida média de 4,5 milhões de anos.

No ataque da operação “choque e pavor” contra o Iraque foram lançadas, somente sobre Bagdá, 1.500 bombas e mísseis. Seymour Hersh afirmou que só o terceiro comando de aviação dos Marines dos EUA lançou mais de “quinhentas mil toneladas de munição”. E tudo isso carregava pontas de urânio empobrecido.

A Al Jazeera informou que as forças invasoras estadunidenses dispararam 200 toneladas de material radioativo contra edifícios, casas, ruas e jardins de Bagdá. Um jornalista do Christian Science Monitor levou um contador Geiger até zonas da cidade que sofreram uma dura chuva de artilharia das tropas dos EUA. Encontrou níveis de radiação entre 1.000 e 1.900 vezes acima do normal em zonas residenciais. Com uma população de 26 milhões de habitantes, isso significa que os EUA lançaram uma bomba de uma tonelada para cada 52 cidadãos iraquianos, ou seja, uns 20 quilos de explosivos por pessoa.

William Hague, Secretário de Estado de Assuntos Exteriores britânico, disse que estávamos indo a Líbia “para proteger os civis e as zonas habitadas por civis”. Vocês não têm que olhar muito longe para ver a quem e o que está se “protegendo”.

Nas primeiras 24 horas, os aliados gastaram 100 milhões de libras esterlinas em munição dotada de ponta de urânio empobrecido. Um informe sobre controle de armamento realizado na União Europeia afirmava que seus estados membros concederam, em 2009, licenças para a venda de armas e sistemas de armamento a Líbia no valor de 333.357 milhões de euros. A Inglaterra concedeu licenças às indústrias bélicas para a venda de armas a Líbia no valor de 24,7 milhões de euros e o coronel Kadafi pagou também para que a SAS (sigla em inglês do Serviço Especial Aéreo) para treinar sua 32ª Brigada.

Eu aposto que nos próximos 4,5 milhões de anos, William Hague não irá de férias ao Norte da África.