The Economist7 de abril de 2011 às 17:20h
Nos últimos meses, políticos comprometeram-se a fazer “o que for preciso para garantir a estabilidade do euro como um todo”. Contudo, e como era esperado, as reformas acordadas na última cúpula da União Européia nos dias 24 e 25 de março como parte da “grande barganha” não alcançaram o acordo compreensivo que os investidores estavam esperando. Mais do que isso, fizeram pouco para efetivar alguma das medidas para bancos e de solvência que estão no coração da crise da dívida da zona do euro.
O consenso principal da cúpula foi um compromisso, no princípio, de expandir a capacidade de empréstimo do fundo corrente de resgate – a garantia estatal do Fundo Europeu de Estabilidade e Faclidade (EFSF) – para sua configuração original de 440 bilhões de Euros (ou 610 bilhões de dólares). Até o momento, essa capacidade é restringida em 250 bilhões de euros porque ela precisa segurar as reservas de dinheiro para manter a sua avaliação triplo- A de créditos e países recebendo assistência não são requisitados para exigir garantias. O crescimento do escopo de empréstimos do EFSF para 440 bilhões significa que ele pode emprestar dinheiro para uma quantidade maior de países da zona do Euro, se necessário.
De qualquer forma, isso foi só um acordo inicial. Um modo de expandir o EFSF dever ser acordado em junho, quando ocorrerá uma nova cúpula. Nesse meio tempo, líderes não tem conseguido concordar em como deverá ser usado o fundo adicional, entendendo as garantias dos países classificados com crédito triplo-A na zona do euro ou pedindo contribuições de capital de todos os países.
Para complicar o processo ainda mais, a Finlândia – um país que não costuma ir contra consensos da UE – não dará o seu voto de confiança no crescimento de garantias até depois de suas eleições parlamentares em 17 de abril. Seu governo encara uma eleição em que os dois principais partidos de governo, o Partido de Centro e os Conservadores, estão sendo desafiados pelo rápido crescimento do apoio aos populistas “Finlandeses de verdade”. Os “Finlandeses de verdade” se opõem até mesmo à existência do comprometimento finlandês para resgatar os estados vulneráveis da zona do euro.
Não resolvido
A cúpula também não cumpriu uma série de outras contas. Ela significou um passo para trás em termos de planos para o Mecanismo de Estabilidade Europeu, que é previsto para se sobrepor aos acordos sequentes a 2013 da EFSF sobre mudanças menores, porém cruciais, dos tratados europeus. Em parte, isso aconteceu porque a Alemanha deixou transparecer um compromisso precoce de fundar um fundo compartilhado da ESM. O mecanismo de estabilidade era para ter, supostamente, 500 bilhões de euros ao seu dispor desde o começo, mas na prática isso não deve acontecer. Além disso, um acordo para baixar a taxa de interesse de empréstimo da EFSF da Irlanda não foi atingido.
Ainda mais importante, nenhum esforço foi feito para resolver alguma das questões bancárias e de solvência que estão no coração da crise da dívida da zona do euro. A cúpula também falhou em elaborar uma estratégia de crédito para o setor bancário, que continua com problemas na maior parte dos países da União Européia, incluindo a Alemanha. Testes de stress bancário comumente realizados não serão feitos para grandes faltas de débito mesmo se eles forem vistos como muito benéficos nos casos da Irlanda e Grécia. Como resultado, investidores ficarão na mesma posição que eles estavam antes da cúpula da UE, com a pequena confiança de que os políticos tenham controle da crise.
O primeiro-ministro português, José Sócrates, anunciou nesta quarta-feira 6 que pedirá uma ajuda financeira à União Europeia para tentar salvar a economia local. Após negar por vários dias que já estivesse negociando um resgate com Bruxelas, o premiê anunciou aos jornalistas, ao fim de uma reunião extraordinária com seus ministros, que negociará com os partidos de oposição um entendimento para assegurar o empréstimo.
