Arquivo mensais:março 2011

Com a palavra os são paulinos: Existe mesmo o boicote?

do R7

“Se é retaliação, não vem ao caso”, diz dirigente  do São Paulo sobre tabela do Brasileirão

Tricolor terá cinco jogos na TV aberta no 1º turno deste Brasileirão, contra oito em 2010

O diretor de marketing do São Paulo, Adalberto Batista, afirmou ao R7 que o clube não sai necessariamente prejudicado por ter menos jogos exibidos na TV aberta que os demais grandes clubes paulistas. Segundo a tabela divulgada na terça-feira (22) pela CBF, o Tricolor terá cinco jogos exibidos ao vivo durante o primeiro turno, contra oito no ano passado.

Além disso, o dirigente disse que não faz diferença se a medida foi uma represália da CBF e da Globo, que em interferência direta na elaboração da tabela, pelo fato de o clube se manter aliado ao Clube dos 13 e contra as negociações individuais dos direitos de TV das próximas edições do Brasileiro.

- Se é retaliação ou não, isso não vem ao caso. As pessoas que tomaram a decisão é que sabem, mas não acredito que isso vai causar prejuízo ao São Paulo.

A assessoria do Clube dos 13 afirmou que a questão deve ser respondida em uma coletiva de imprensa marcada para às 16h (de Brasília) desta quarta-feira (23), em São Paulo. Já o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) informou que não vai se pronunciar para não ficar inapto a julgar o assunto caso ele seja encaminhado ao conselho nos próximos dias.

O São Paulo terá televisionados no primeiro turno os jogos contra Flamengo e Coritiba, que serão transmitidos para a capital paulista, assim como os clássicos contra Palmeiras, no Morumbi, e Santos, na Vila Belmiro; e, em casa, diante do Vasco, com exibição para o Rio. A redução no número de partidas do clube paulista na TV aberta terá impacto para cerca de 17 milhões de torcedores, número do último levantamento do Ibope sobre as maiores torcidas do Brasil, que indicou os são-paulinos – vencedores de três Campeonatos Brasileiros consecutivos na última década (2006, 2007 e 2008) – como a terceira maior do país.

Batista admite que aparecer na TV aberta é importante para ampliar a visibilidade do clube e de seus patrocinadores, mas espera compensar isso no segundo turno, quando as equipes de melhor campanha passam a ter prioridade nas transmissões.

- Essas grades costumam ser completamente alteradas e privilegiam os clubes que estão melhor na tabela. Na média dos últimos cinco anos, o São Paulo sempre esteve entre os clubes de maior visibilidade na televisão.

O Corinthians terá, entre jogos em casa e fora, 14 partidas transmitidas em TV aberta durante o primeiro turno, contra 12 do Palmeiras e seis do Santos.

Em contato com o R7 por telefone, o diretor de comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, disse que a mudança no número de jogos do São Paulo transmitidos pela TV aberta não é de responsabilidade da entidade máxima do futebol brasileiro. Ele também negou ter prejudicado o clube paulista e afirmou que a Rede Globo é quem estabeleceu os jogos que irão ao ar.

- Não tem nada a ver com a gente. Quem assina contrato com a televisão são as equipes por meio do Clube dos 13. Se o São Paulo assinou com a TV Globo é porque o São Paulo deve estar de acordo. A gente pega o horário estabelecido e define a tabela, só isso.

Procurada pela reportagem, a Rede Globo ainda não se manifestou.


Economia japonesa: maiores implicações do tsunami

The Economist

Os recentes desastres no arquipélago intensificam as dificuldades de uma nação em crise

O Japão ainda está se recuperando dos efeitos do poderoso terremoto e tsunami que devastaram o nordeste do país em 11 de março. Com 9 graus de magnitude, o terremoto, próximo da costa, foi um dos maiores já registrados. O tsunami arrasou cidades e vilas, resultando em uma destruição massiva de propriedades, deixando centenas de milhares de pessoas desabrigadas. Com milhares ainda não contabilizados, as taxas de mortalidade tendem a subir rapidamente. O desastre também prejudicou uma usina de energia nuclear, resultando em uma série de explosões e induzindo a evacuação da população ao redor. A The Economist Inteligence Unit resume, a seguir, as principais implicações do desastre. Sobretudo, mesmo que não tenha nenhuma catástrofe nuclear, o impacto do crescimento do PIB é modesto se comparado com a escala do trauma humanitário.

Crescimento Econômico

Nas notícias inicias sobre os danos do terremoto e do tsunami, nós reduzimos levemente as expectativas de crescimento econômico em 2011 de 1,6% para 1, 4%. Nas áreas mais afetadas, a atividade econômica virtualmente parou e o consumo e investimento privados permanecerão fracos até a segunda metade deste ano. De todo modo, a reconstrução deve fornecer um impulso para o próximo ano, de forma que elevamos nossas previsões para 2012 de 1,4% para 1,5%.

Nossas expectativas atuais assumem que o impacto nacional do desastre será limitado, tão logo os maiores centros econômicos como Toquio evitem a interrupção prolongada. Por exemplo, esperamos que suprimentos poderosos estejam restaurados completamente nas áreas econômicas-chaves em maio. A manutenção dessa suposição dependerá de quanto tempo durará a crise na usina nuclear de Fukushima Daiichi. O estado atual de risco elevado e a incerteza podem atrasar o crescimento conduzido pela reconstrução que nós esperamos atualmente que se inicie na segunda metade de 2011. Nesse caso, nossas expectativas de crescimento para 2011 serão reduzidas, mas nossas previsões para 2012 crescem.

Política

O primeiro ministro Naoto Kan e o Partido Democrático do Japão estão encarando seu maior teste. Uma deterioração dramática na posição do governo é anulada pelo fato de que este já estava sombriamente impopular antes do desastre. A insatisfação pública em relação à ajuda e esforços de reconstrução é um risco, mas, num balanço, a reação das autoridades foi rápida e competente. Diferente da letárgica resposta ao terremoto de Kobe em 1995, operações de auxílio em larga escala iniciaram imediatamente e assistência estrangeira foi recebida. Sr. Kan arriscou-se quando assumiu o comando pessoal da crise na usina de Fukushima – um passo que pode queimá-lo se a situação dos lugares afetados piorar. De qualquer forma, a ira pública tende a se focar na empresa que opera a Usina, a TEPCO, que é notória por ser econômica com a verdade em relação aos acontecimentos nucleares.

Acima de tudo, se a administração de Kan pode evitar compartilhar a culpa de outros percalços radioativos, e se as autoridades continuarem a orquestrar um resgate de crédito e esforços de reconstrução, os efeitos do desastre na estabilidade governamental parece ir do neutro ao positivo. Mais do que isso, a administração pode ser beneficiada nas frentes políticas. Um senso de emergência e solidariedade nacional pode mitigar a obstrução da oposição sobre a receita para o ano fiscal que chega – ou mesmo galvanizar suporte para as arrojadas reformas que o senhor Kan propôs para resolver os problemas econômicos do Japão.

Posição Fiscal

O desastre inevitavelmente atraiu comparações com o tremor de Kobe em 1995, mas a maior diferença é que a situação fiscal do Japão era muito mais saudável em meados de 1990. Em 1994, o débito público alcançou 79% do PIB, mas em 2010 essa conta subiu para 198% do PIB. Em teoria, o governo é agora não somente menos capaz de atender a emergência e a reconstrução, como também mais vulnerável para uma perda de confiança em seus empréstimos.
Isso significa que o terremoto e o tsunami se provarão desastrosos para as finanças públicas? A resposta não é clara, mas o mais provável é que o país continue – como antes – num curioso limbo do risco. As finanças públicas do Japão já estavam em um caminho de deterioração para além do que seria sustentável na maioria dos outros países. O governo evitou com facilidade grandes empréstimos na crise, e pode financiar ele mesmo com taxas muito baixas de interesse. Isso reflete em parte a composição do débito público, mantido em 95% domesticamente, e o fato de que taxas baixas de interesse e uma economia lenta ao longo dos anos tenham limitado opções de investimento alternativas. Nossas expectativas apontam que o desastre machuque a posição fiscal do Japão. Como o déficit financeiro do Japão já era quase 8% do PIB em 2010 devido os efeitos tardios da crise financeira global, é um momento ruim para uma política fiscal expansiva.

Negócios

Os negócios no nordeste do Japão sofreram uma série de prejuízos, principalmente nos setores automotivo, eletrônico, entre outros manufaturados. Corporações japonesas poderosas como Canon, Sony e Toshiba fecharam muitas fábricas nas regiões afetadas. Uma série de marcas de carro, incluindo a Toyota, a maior do mundo, suspendeu toda produção no Japão. No outro final da escala, incontáveis pequenos negócios foram fechados.
Os efeitos indiretos nos negócios como resultado de danos em infraestrutura foram muitos. Racionamento de energia e cortes na água forçaram fábricas a recalcular a produção e escritórios por todo país permanecem fechados em estado de emergência e com medo de outros choques. Serviços de trem foram cortados, aeroportos fechados e estradas maiores fechadas para o tráfico do público. Em um curto período, esses fatores refletem nas indústrias japonesas, muitas delas usando o método de produção Just-in-time que se apóiam nessas lógicas. Isso, em contrapartida, está tendo um efeito dominó nos estoques globais, uma vez que as firmas japonesas fornecem componentes cruciais para equipamentos de alta tecnologia, de semi-condutores a iPhones. De todo modo, o impacto na produção global não parece ser tão severa ao menos que a produção japonesa de componentes vitais seja significantemente prejudicada por semanas, meses ou dias. Em muitos casos, inventários dos produtos afetados são amplos e um certo número de fábricas reabrirá em 17 de março.

Mercado Financeiro

O terremoto produziu efeitos colaterais significantes no Mercado de ações japonês, nos títulos públicos e capital. Entre 11 e 15 de março, a Nikkei 225 caiu 11,3% e o índice Topix desceu 10,7%, ainda que os dois índices tiveram algum ganho em 16 de março. O governo tentou limitar o dano financeiro injetando uma liquidez recorde. Entre outras coisas, o banco do Japão (BOJ) injetou trilhões de yens em mercados monetários e dobrou seu programa de poder de compra. Lucros de títulos de 10 anos do governo japonês caíram, somando-se ao fato de que o desastre exacerba o já conturbado panorama fiscal do governo. Enquanto isso, o yen teve uma valorização inclinada, subindo de ¥82,9:US$1 em 10 de março para ¥78.1:US$1 em 16 de março, com expectativas de que fundos serão doados ao Japão para pagar a reconstrução. Um yen mais forte vai piorar as exportações que já estão se debatendo com a infraestrutura danificada e as reservas quebradas. O governo talvez tente intervir para parar o crescimento do yen, mas tais medidas são raramente efetivas. Muitas semanas voláteis virão nas trocas cambiais estrangeiras, títulos e lucros.
Sem surpresas, o setor de segurança também está programada para a desordem. Cálculos preliminares das perdas de seguros como resultado do terremoto começam a aparecer. AIR Worldwide, uma firma de modelagem de desastre, colocou a perda potencial de seguros entre US$14.5bn e US$34.6bn. Seguros domésticos contabilizam mais de 90% do mercado de seguro e vida no Japão, então eles serão atingidos com força. De toda forma, a maioria passou seu risco para seguradoras globais, então o desastre será sentido em todo planeta. Ocorrendo logo depois das enchentes e ciclone na Austrália e dos terremotos na Nova Zelândia, o terremoto e o tsunami japonês falaram prontamente que os preços de seguros globais, que caíram por anos, começarão a subir outra vez.

Mercado de Commodities
O Mercado internacional de commodities ainda está digerindo uma variedade de possíveis implicações conflituosas do desastre japonês. Em commodities leves, por exemplo, um frágil crescimento econômico pode reduzir a demanda de importação em um período curto, mas participantes de mercados podem antecipar um crescimento de demanda enquanto os estoques são reconstruídos. De forma similar, o mercado de metal tende a beneficiar quando a reconstrução começar, mas sofrerá a curto prazo por causa do fechamento de fábricas e da baixa atividade econômica. No mercado de combustível, a interrupção nas redes de transporte sugere menos consumo, mas pode haver uma troca para atender necessidades imediatas do poder. O mercado de combustível inicialmente focou em menos consumo no terceiro maior consumidor, com o preço do Brent bruto caindo de US$110 por barril em 15 de março. De qualquer forma, os preços tiveram subidas leves subsequentes no Oriente Médio instável. O Japão tem poucos recursos naturais e é muito dependente de importações, logo a reconstrução gera um aumento na demanda de commodities no mercado internacional.

Energia
O terremoto e o tsunami interromperam drasticamente o fornecimento de energia nuclear, que representa perto de 30% do total da produção de energia do país. As informações continuam incertas e contraditórias, mas ao menos 10 reatores se desligaram automaticamente em função do terremoto, o que significa que o Japão encara uma potencial perda de 15 a 20% do total de sua capacidade nuclear. Também houve relatos que várias usinas térmicas desligaram. A TEPCO disse que metade da capacidade térmica desligada nos eventos da última sexta-feira 11, voltarão em uma semana, mas a perspectiva para o equipamento afetado na usina de Fukushima é menos confiante. Água do mar foi jogada em reatores para controlar a temperatura, fazendo da sua recuperação impossível.
Como o Japão se recuperará do corte no abastecimento de energia? Precedentes históricos sugerem que o crescimento na dependência em gás natural tende a ser a última saída. Em 2007, na recuperação do terremoto que desligou a usina de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo, a demanda japonesa por gás cresceu. De qualquer forma, a natureza fragmentada da indústria de gás japonesa e a infraestrutura de gás subdesenvolvida irá dificultar a mudança. Grandes navios de petróleo bruto, óleo diesel e carvão são também plausíveis.

*Matéria publicada originalmente no The Economist Intelligence Unit

 

Brasil vota a favor do envio de relator especial da ONU ao Irã

do Estado de São Paulo

GENEBRA – O Brasil mudou sua posição em relação ao Irã e votou na manhã desta quinta-feira, 24, a favor de uma resolução no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, proposta pelos Estados Unidos para investigar as violações do governo persa.  O órgão aprovou o envio de um relator especial ao país.

Veja também:
link Nova posição em relação a Teerã estaria vinculada à vaga no CS

A criação de uma relatoria especial para analisar abusos de direitos humanos no Irã não é uma condenação em si, mas chega perto disso. Até hoje oito países passaram por medida semelhante, entre eles Sudão, Coreia do Norte e Camboja. A avaliação brasileira é que o CDH é o local adequado para essa discussão e a criação de um relator especial, uma medida eficaz.

Nos últimos 10 anos, o Brasil se absteve em votações que condenavam o Irã ou era contrário a resoluções, como no caso das últimas sanções aprovadas no Conselho de Segurança da ONU, em junho.

Nas abstenções anteriores, na Assembleia-geral das Nações Unidas, a alegação brasileira era a de que esse não era o fórum adequado para a discussão. Em 2010, o Brasil aplicou as sanções aprovadas para tentar interromper o avanço do programa nuclear iraniano, mas foi contrário na votação com a justificativa de que as medidas “não eram um instrumento eficaz”.

Cinco anos após ‘dança da pizza’, Angela Guadagnin luta para levar Samu a São José dos Santos

do Estadão

Quando percebeu que a Câmara dos Deputados livraria o deputado João Magno (PT-MG), acusado de ter recebido dinheiro do mensalão, a deputada federal Angela Moraes Guadagnin (PT-SP) deixou sua natural discrição de lado, saiu do lugar onde estava, sentada nas primeiras fileiras à esquerda do plenário, e dançou, para manifestar sua alegria pela absolvição do amigo.

A “dança da pizza”, como ficou conhecido o episódio ocorrido na madrugada do dia 23 de março de 2006, há exatos cinco anos, foi gravada, apareceu nas TV, circulou pela internet e foi capa de jornais (inclusive do Estadão). 29 segundos que eternizaram o nome de Angela Guadagnin

À época dos acontecimentos, chegou a pedir desculpas aos eleitores pelo seu comportamento. Justificou-se dizendo ter extravasado sua alegria pela absolvição de um amigo em cuja inocência acreditava – Angela também era integrante do Conselho de Ética da Câmara.

Atualmente, Angela é vereadora na Câmara de São José dos Campos. Tem sua atuação voltada para a saúde e a família. A marca de sua atuação na Câmara é a luta para levar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para São José dos Campos. Procurada pelo Estadão.com.br para falar sobre o episódio e também para falar sobre sua atuação como vereadora, ela preferiu não conceder entrevista. Seu chefe de gabinete, José Oliveira, justificou por telefone e por e-mail (leia aqui), a recusa de Angela em conceder entrevista.

Segundo ele, o escândalo do mensalão “foi uma farsa articulada pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB) em conjunto com os dois principais partidos de oposição ao governo Lula (PFL e PSDB) com o apoio da mídia tradicional”. De acordo com ele, Angela, que não estava envolvida nas denúncias do mensalão, foi eleita por esse movimento como “ícone nacional da corrupção”. Seu único crime, afirma ainda Oliveira, foi ter agido com isenção no Conselho de Ética da Câmara.

 

 

 

Luiz Fux vota contra validade da Lei da Ficha Limpa nas eleições de 2010

G1

Voto do ministro do STF pode definir posição do STF sobre o tema. Supremo julga recurso de candidato a deputado estadual barrado.

Débora Santos Do G1, em Brasília

O novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, votou nesta quarta-feira (23) contra a aplicação da Lei da Ficha Limpa nas eleições do ano passado. A norma, que barra a candidatura de políticos condenados por decisões de colegiados, entrou em vigor em junho de 2010.

O voto do ministro pode decidir a posição do Supremo sobre a lei. Caso os outros integrantes do STF mantenham os votos dos julgamentos anteriores, que terminaram empatados em 5 a 5, a lei só poderá ser aplicada nas eleições de 2012.

Em seu voto, que durou pouco menos de uma hora, o ministro elogiou a iniciativa popular da lei e os objetivos da ficha limpa, mas afirmou que as regras constitucionais precisam ser respeitadas. Para Fux, apesar da intenção de moralizar a política, a ficha limpa interferiu no processo eleitoral e gerou insegurança jurídica.

O ministro defendeu em seu voto a aplicação do artigo 16 da Constituição. Segundo essa norma, uma lei que modifica o processo eleitoral só pode valer no ano seguinte de sua entrada em vigor.

 

Coordenador da FUP: O pré-sal e o tsunami na geopolítica do petróleo

do VioMundo

por João Antônio de Moraes*

Uma nova ordem mundial começa a alterar a geopolítica do petróleo e, mais do que nunca, precisamos entender este processo e tratar o pré-sal como uma riqueza extremamente estratégica. O acidente nuclear no Japão, as mudanças políticas no Norte da África e no Oriente Médio e a visita de Barack Obama ao Brasil são fatos correlatos que colocam em alerta os movimentos sociais na defesa da nossa soberania energética.

O tsunami japonês varreu, pelo menos temporariamente, os planos de expansão nuclear de dezenas de países que apostam nesta fonte de energia como principal alternativa para reduzir a dependência de hidrocarbonetos (óleo e gás natural). A tendência é que estes recursos se tornem cada vez mais estratégicos para saciar a fome de energia do planeta. Hoje os combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás) são responsáveis por mais de 80% da matriz energética global. As estimativas da Agência Internacional de Energia são de que o consumo de petróleo continue aumentando em termos absolutos, ultrapassando nos próximos dez anos a marca de 100 milhões de barris por dia.

Em função disso, já estamos assistindo à corrida das principais nações em busca de novas fronteiras produtoras de petróleo e gás para garantir suas necessidades de abastecimento. Não por acaso, o Brasil foi o primeiro pouso de Barack Obama na América Latina. Por trás de sua “cordial” visita, estão intenções nada amistosas. Os Estados Unidos são o maior consumidor de petróleo do planeta (utilizam 25% da produção global) e também o mais vulnerável em meio à onda de revoltas que assola o Norte da África e o Oriente Médio, principal fonte abastecedora do país.

Em troca de petróleo, o império norte-americano tem apoiado e sustentado ditaduras e governos autoritários nestas regiões, intervindo militarmente sempre que seus interesses são ameaçados. É o que está acontecendo agora na Líbia, da mesma forma como aconteceu no Irã, no Iraque e no Afeganistão. Mas as movimentações de peças no tabuleiro de xadrez do mundo árabe levam os analistas políticos a acreditarem que uma nova coalizão de forças colocará em xeque a posição confortável que os Estados Unidos usufruíam no Oriente Médio até então.

Para que Washington diminua sua dependência da região, o Brasil é a bola da vez. Com o pré-sal, nosso país será uma das maiores reservas de petróleo do planeta e é de olho nesta riqueza que os Estados Unidos vêm tentando fechar acordos e parcerias com o governo brasileiro e a Petrobrás. A FUP e os movimentos sociais são contrários à tese de que o pré-sal deve fazer do Brasil um grande exportador de petróleo. Queremos que este estratégico recurso seja explorado de forma sustentável para desenvolver toda a sua cadeia produtiva. Desde a construção de navios e plataformas até a indústria petroquímica e plástica.

É desta forma que o país irá gerar emprego e renda e não exportando petróleo cru para abastecer países ricos, como os Estados Unidos, que durante décadas exploram e usufruem de recursos energéticos alheios para sustentar seus absurdos níveis de consumo. O pré-sal, como disse a presidenta Dilma, é o passaporte para que as gerações futuras tenham um país desenvolvido, com oportunidades para todos. Mas isso só será possível investindo na cadeia produtiva do petróleo aqui no Brasil, fomentando a indústria nacional, gerando emprego e renda para milhões de brasileiros.

por João Antônio de Moraes é  coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros — FUP.

 

Facultativo

Na pauta da comissão Especial do Sena­do que trata da reforma política, uma das propostas é adotar o voto facultativo. Depois de quase 80 anos de voto compulsório, estabelecido pelo Código Eleitoral de 1932, a mudança ganha adeptos.

Apesar disso, ao que parece, o tema ainda divide os senadores, assim como faz com a sociedade.
Dos vários que estão sendo discutidos, nenhum é tão polêmico.

As pesquisas feitas nos últimos anos mostram que há maiorias claras em favor de algumas ideias (como a fidelidade partidária e a reeleição) e contrárias a outras (como o financiamento público de campanhas e o voto em lista fechada). No tocante à obrigatoriedade do voto, contudo, a proporção dos que querem mantê-la é igual à dos que preferem que acabe. Se dependesse da opinião dos cidadãos comuns, teríamos um impasse.

Existem razões para defender as duas opções, embora a quase totalidade das democracias avançadas atuais tenham o voto apenas como direito e não como dever. O debate entre críticos e defensores do modelo já dura anos, sem que qualquer lado possa se dizer vitorioso.

No cerne, a principal diferença está na avaliação de quando convém a um país como o nosso abrir mão da obrigatoriedade e avançar em direção ao voto facultativo. Quem concorda com nossa tradição entende que ainda é cedo. Quem quer alterá-la acha que já estamos preparados.

Quando perguntadas, nas pesquisas, sobre como se comportariam se o voto não fosse compulsório, uma boa proporção das pessoas afirma que continuariam a votar. Em uma feita pelo Vox Populi nas vésperas da eleição de 2010, por exemplo, 74% dos entrevistados disseram que votariam mesmo se o voto fosse facultativo.

Fora do ambiente eleitoral, as respostas costumam ser menos enfáticas. Em uma pesquisa anterior do Vox, a pergunta oferecia três opções ao entrevistado: se votaria sempre, se votaria dependendo da eleição ou se não votaria, caso não houvesse a obrigação.

Os resultados indicam que, se o voto fosse opcional, existiriam, no Brasil, dois tipos de eleitor (cada um com perto de 35% a 37% do eleitorado) e um grupo de não eleitores (com os restantes 30% ou um pouco menos). Poderíamos chamar os primeiros de eleitores regulares, que votariam em qualquer situação. Os segundos, de eleitores ocasionais, que votariam apenas quando se sentissem motivados. Os terceiros seriam as pessoas que tenderiam a nunca votar.

Levando essas proporções ao pé da letra, a expectativa seria a de que, nas eleições reais, o número de votantes ficasse abaixo de dois terços do eleitorado (pois o terço final seria formado pelos não eleitores), mas não inferior a um terço (pois os eleitores regulares garantiriam esse mínimo). Entre os dois, as taxas de comparecimento poderiam variar, em alguns casos ficando aquém, mas, na maior parte das vezes, indo além dos 50%.

Ao olhar nossas eleições presidenciais modernas, vemos resultados coerentes com essa hipótese. Em 1989, pelo inusitado, tivemos a única em que os não eleitores foram bem menos que o esperado e o total de votantes chegou a 81%. Em 1994, os votantes caíram para 66% e, em 1998, para 63% do eleitorado, o que indica quão desmobilizadoras foram as eleições dominadas pelo Plano Real. Em 2002 e 2006, a proporção de votantes voltou a subir, para perto dos 75%. Agora em 2010, continuamos nesse patamar.

O que isso sugere é que, apesar da obrigatoriedade formal, o eleitorado brasileiro se comporta de maneira semelhante ao que declara que faria se o voto fosse facultativo. Ou seja, o fato de o voto ser obrigatório não implica nem que todos queiram votar nem que votem.

Note-se que, caso fossem considerados os números de outras eleições, como as municipais e legislativas, teríamos, em muitas situações, distâncias ainda maiores entre eleitores e votantes – entre os que estão obrigados a votar e os que votam. Em alguns estados do Nordeste, nas eleições para a Câmara dos Deputados, não são raros exemplos em que o total de votos nominais fica abaixo da metade da população apta a votar.

Ganha-se alguma coisa ao se oficializar o que existe? Tornando legal aquilo que a sociedade faz na prática? É provável que sim, assim como é provável que pouco perderíamos se abandonássemos o voto compulsório. O risco de os coronéis do interior obrigarem as pessoas a ir votar (ou a deixar de fazê-lo) é real, mas afeta um pedaço cada vez menor do País, em eleições cada vez menos importantes.

A adoção do voto facultativo (especialmente se vier acompanhada da desobrigação do registro, permitindo que o eleitor exerça seu direito de voto quando quiser e livre de burocracias) pode aprofundar a democracia brasileira.