The Economist
O campo Broadbalk, de 1,6 hectare, fica no centro da fazenda Rothamsted, a cerca de 40 quilômetros ao norte de Londres. Em 1847, o fundador da fazenda, Sir John Lawes, descreveu o solo ali como limoso, pesado, repousando sobre uma camada de greda e capaz de produzir um bom trigo quando bem adubado. A colheita de 2010 não pareceu
fazer jus ao seu parecer. No centro do campo, o trigo é abundante, produzindo 10 toneladas por hectare, uma das taxas mais altas do mundo para um cultivo comercial. Mas, a extremo oeste, perto da casa senhorial, a produtividade é de apenas 4 ou 5 toneladas por hectare; em outras partes, pés ainda mais magros rendem somente 1 ou 2 toneladas.
Broadbalk não é um campo comum. O primeiro cultivo experimental de trigo no inverno foi semeado lá no outono de 1843, e nos últimos 166 anos o campo, que é parte da estação de pesquisa Rothamsted, foi palco do experimento agrícola contínuo mais duradouro do mundo. Agora, diferentes partes do campo são semeadas usando-se técnicas diferentes, fazendo de Broadbalk um microcosmo do estado atual da agricultura mundial.
O trigo que rende uma tonelada por hectare se parece com o de um campo africano, e pela mesma razão: ele não recebeu fertilizantes, pesticidas ou qualquer outra coisa aplicada a ele. Às vezes, os fazendeiros africanos são tidos como os responsáveis pela sua baixa produtividade, mas a culpa está na tecnologia disponível para eles. Com a mesma tecnologia, europeus e americanos obteriam os mesmos resultados.
*Confira este conteúdo na íntegra da edição 638 da CartaCapital, já nas bancas.

‘ a reportagem, é peça de propaganda subliminar do agronegócio, neo-encíclica dos interesses financeiros internacionais para o status quo, dirigindo rumos, tendências e controle.’