Diálogos desenvolvimentistas No 28: Direita, vol-ver!

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Leandro Aguiar

Deputado, ele é a favor da legalização do porte de armas, e, em alguns casos, da tortura; apóia amplamente a redução da maioridade penal, acha que o Brasil deveria pensar na possibilidade de desenvolver a Bomba Atômica e fala com saudosismo e entusiasmo sobre a ditadura, ou, como prefere chamar, revolução de 64. O deputado em questão não é o Enéias, que Deus o tenha, mas sim Jair Bolsonaro, do PP do Rio de Janeiro.

As semelhanças com Enéias, inclusive, param nas suas inclinações belicistas. Diferente de seu barbudo ex-colega, Bolsonaro é comedido, calmo, e possui inegável bom humor. Suas preocupações com a aparência também são o contrário das do falecido deputado: aos 56 anos, possui pouquíssimos cabelos brancos, o que aponta para a possibilidade de estes estarem sendo tingidos; o cabelo, aliás, está sempre em perfeita ordem, e o deputado nunca é visto sem trajar um terno absolutamente alinhado, salvo nas ocasiões em que está fardado.

Há 20 anos no poder, Bolsonaro foi eleito agora pela 6ª vez consecutiva, com mais de 120 mil votos, muitos deles provenientes de militares. No congresso, foi um crítico duríssimo de FHC, sugerindo inclusive -segundo ele era apenas uma força de expressão- que o ex-presidente fosse executado por ter privatizado as teles e a Vale do Rio Doce.  De 2002 pra cá, o tom da sua crítica não abrandou: ele tem repulsa ao PT, que considera um partido de corruptos e esquerdistas com tendências pró-cubanas; diz não ter a mínima saudade de Lula, pois ele só sentiria falta de um presidente sério, como, de acordo com o deputado, o eram Geisel, Médici e Figueiredo, todos militares e ditadores. Quanto a Dilma, ele a taxa de seqüestradora e ladra, referindo-se aos supostos crimes por ela cometidos durante o regime de exceção.

O que deslocou os holofotes para o deputado Bolsonaro, que é também capitão do Exército brasileiro, foi sua recente aparição no programa CQC, aonde ele foi questionado pelos telespectadores sobre temas polêmicos. Sempre sorrindo, assegurou que jamais beijaria a presidenta Dilma Roussef, pregou respeito aos antigos valores da família, religião e ordem, relativizou o conceito de tortura (“agir com energia é torturar?”), falou sobre o quão detestável é Cuba e teceu um ou dois comentários homofóbicos.

O Desenvolvimentistas debateu o fenômeno Jair Bolsonaro, deputado que, por definição do cargo, é representante de uma parcela da população brasileira. Acompanhe:

 

“Ele precisa respeitá-los (aos homossexuais) ao menos no espaço público, e não foi o que fez ao misturá-los com “promiscuidade”. Além disso, ele comprometeu a causa que (…) ele considera prioritária, que é a causa nacional (=popular), pois a constituição brasileira e as regras de conduta social brasileira hoje respeitam os gays e consideram esse respeito critério fundamental para avaliação da civilidade. Se ele compartilha conosco da prioridade da causa nacional, deveria ter ficado calado e não ter pisado na casca de banana. Sinceramente, ainda que ele possa ser considerado nacionalista em algum sentido, é muito menos do que nós, porque a civilização brasileira que tem força, identidade própria, auto-estima, coesão e senso de nacionalidade autêntica é essencialmente tolerante e muito zelosa com sua origem racial miscigenada e cada vez mais respeitosa à sexualidade individual”

(…)

“A repressão moralista é cada vez mais distante da identidade nacional brasileira e não pode nos unir, apenas nos dividir, como o Serra tentou nas últimas eleições. Divididos somos uma nação em frangalhos. Autênticos e Unidos somos uma Nação maravilhosa. espero que o Bolsonaro volte atrás, porque essa perspectiva moralista e preconceituosa machuca as pessoas e divide o país.”

Gustavo Santos, economista.

“Assim, defendo que, apesar de o dejeto humano Bolsonaro defender confusamente interesses pátrios, sua homofobia, racismo, anti-secularismo, imbecilismo (como chamo o amor a imbecilidade), belicismo, fanatismo, e vários outros ismos que impedem o desenvolvimento da sociedade que eu desejo pro nosso Brasil, trabalhemos pela sua completa nulificação política; nunca para legitimá-lo. Bolsonaro representa o que ha de mais atrasado na nossa sociedade!”

Daniel Conceição

“Ele faz campanha dizendo que é de direita e procura ser coerente ao defender o que considera serem os bons valores morais etc. Pergunto: ele é ladrão? Hipócrita? Não concordo com suas posições intransigentes sobre essas questões comportamentais (drogas, homossexualidade, obsessão anti-comunista), mas está no direito dele defender seus pontos de vista em um sistema de democracia representativa, ou não?”

Márcio Oliveira, analista político

 

Uma ideia sobre “Diálogos desenvolvimentistas No 28: Direita, vol-ver!

  1. Airton Gomes

    Olha, eu também sou a favor da legalização do porte de armas e da redução da maioridade penal, mas nem por isso sou de direita. Sou contra a ditadura, contra a tortura e contra as armas nucleares. E sou de esquerda.

    Ser de esquerda não significa acreditar na falácia de que a criminalidade é “apenas” um problema social (embora exista sim o componente social da questão) e achar que bandido é “coitadinho”. Isso não tem nada a ver com ser de esquerda. Bandido de 16 anos que mata um trabalhador pai de família tem que ser punido severamente, pois sabe muito bem o que está fazendo. E o trabalhador deve ter o direito de ter um trabuco calibre 38 para se defender da bandidagem.

    Ser de esquerda é estar do lado do trabalhador, não do bandido. Em casa de trabalhador, não tem bandido. E quando tem, quando um filho vira bandido, o próprio pai trabalhador enche de porrada e bota pra fora de casa. Ser de esquerda é entender o que o trabalhador realmente pensa e sente a respeito dos bandidos.

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