do Estado de São Paulo
GENEBRA – O Brasil mudou sua posição em relação ao Irã e votou na manhã desta quinta-feira, 24, a favor de uma resolução no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, proposta pelos Estados Unidos para investigar as violações do governo persa. O órgão aprovou o envio de um relator especial ao país.
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A criação de uma relatoria especial para analisar abusos de direitos humanos no Irã não é uma condenação em si, mas chega perto disso. Até hoje oito países passaram por medida semelhante, entre eles Sudão, Coreia do Norte e Camboja. A avaliação brasileira é que o CDH é o local adequado para essa discussão e a criação de um relator especial, uma medida eficaz.
Nos últimos 10 anos, o Brasil se absteve em votações que condenavam o Irã ou era contrário a resoluções, como no caso das últimas sanções aprovadas no Conselho de Segurança da ONU, em junho.
Nas abstenções anteriores, na Assembleia-geral das Nações Unidas, a alegação brasileira era a de que esse não era o fórum adequado para a discussão. Em 2010, o Brasil aplicou as sanções aprovadas para tentar interromper o avanço do programa nuclear iraniano, mas foi contrário na votação com a justificativa de que as medidas “não eram um instrumento eficaz”.

Não, não estaria vinculada à vaga do CS. Isso é o que se afirmam, mas não tem nada a ver. Lula é líder na América Latina, para onde ele ia, praticamente ia quase toda a região. Os americanos não tinham condição de impor sua política na região com a liderança mundial que Lula conquistou e a confluência dos principais líderes da América Latina, pelo qual ele falava em nome da região.
Aliás, não falava apenas em nome da AL, mas falava em nome da África, também. A diplomacia Sul-Sul deu uma nova dimensão de força. Vir ao Brasil, melhor dizendo, á AL, não foi apenas fazer negócios, mas trazer a região novamente para a liderança política americana, isso ficou claro no discurso de Obama no Chile, quando mandou recado velado para Chávez e Castro.
Os americanos agora caminham para retomar a liderança política e comercial na região. O discurso agora, com a chegada da China e o fortalecimento de toda região financeiramente, ainda que vendendo produtos primários para à China, o fato é que fortaleceu economicamente a região, o discurso agora é que o continente é igual, eles querem uma parceria entre iguais com os países latinos.
Mas o fato é que o discurso está longe de ser real, basta ver a dificuldade para os latinos entrarem nos Estados Unidos. Não sabemos como ficarão essa situação, mas o fato é que a liderança política construída por Lula e o fortalecimento da AL, fez que os americanos se antecipassem ao Brasil, vindo logo no início do governo de Dilma, uma situação que quer a mídia vender e alguns analistas de que foi simbólica de que ele veio primeiro, mas o fato é que não é apenas a mídia tupiniquim que trabalha para tirar Lula de cena, os americanos também trabalham para que os latinos vejam nele a mesma referência que viam em Lula, ou seja, um igual.
Não há dúvida da história dele enquanto negro num país racista, mas há uma longa distância entre a sociedade americana e os povos latinos. Isto é fato. Não sabemos quais a concessões e pressões que ocorreram nos bastidores. Mas o fato é que, creio eu, será intensificada a campanha contra Chávez na região. Os americanos precisam de petróleo, veio a procura do Brasil, afirmou em investir, mas ofereceu muito pouco, se compararmos a China.
É preciso ficarmos atentos as pedras nesse tabuleiro das Relações Internacionais sempre. E não esquecendo que os interesses entre os estados convergem e divergem, mas quem é potência terá sempr condição de pressionar o outro para fazer sua vontade, isso quando usa a força para se obter o que quer.