Diante de avanço de Kadafi, rebeldes clamam por ajuda internacional

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da CartaCapital

Wálter Maierovitch

Opositores preparam plano B dado o avanço das trpoas de ditador. França leva nova proposta ao Conselho de Segurança da ONU

1. Enquanto as tropas de Kadafi avançam para tentar reconquistar Tobruk e usá-la como ponte para a retomada de Bengasi — a capital da insurgência e o centro do governo de transição, os rebeldes clamam por ajuda internacional.

Em outras palavras, os rebeldes já percebem que sem a intervenção internacional e a instalação de zonas de exclusão aérea e naval não
conseguirão manter Bengasi, a segunda cidade mais importante da Líbia e o centro da antiga região da Cirenaica.

O Plano B dos rebeldes será rumar para a fronteira com o Egito a fim de preparar uma guerra de guerrilha. Eles esperam contar com o apoio dos Tuareg e Tebou, tribos do deserto que fazem tráfico de armas e munições.

A grande esperança dos rebeldes, já que sabem que os EUA não consideram a Líbia estratégica, está na França. A França e a Grã-Bretanha, de 1943 a 1951, governaram consorciadas as três regiões do antigo Império Otomano(Tripolitânia, Cirenaica e Fezzan) depois da dominação italiana (1911 a 1943). A independência e constituição do Estado líbio ocorreu em 1951, com o rei Mohammed Idris-al-Senussi.

Segundo os 007 das agências de inteligência do Ocidente, o coronel-ditador Kadafi conta com 120 aviões de caça para bombardear Bengasi, cidade de 1 milhão de habitantes.

Com o discurso de iminente risco de massacres a civis, a França, hoje, encaminha uma nova proposta ao Conselho de Segurança. E não fala mais, depois da reação negativa da comunidade internacional, em bombardeamentos cirúrgicos, ou seja, em alvos eleitos anteriormente às ações.

Os rebeldes têm esperança numa intervenção francesa, como ocorreu no Chade em 1987, na chamada “Guerra da Toyota” (no lugar de tanques, os resistentes do Chade usaram, contra os invasores líbios,  jeeps adaptados da Toyota).

Naquele conflito no Chade houve intervenção da França em apoio à antiga colônia. As tropas de Kadafi, em 1983, tinham invadido e ocupado o norte do Chade.

Em 1987, com o conflito em evolução, os franceses promoveram as operações Manta e Esparviero e obrigaram, por meio de ataques aéreos intensos, o coronel Kadafi voltar para casa, humilhado.

O governo de Nicolas Sarkozy não divulgou a nova proposta que fará hoje ao Conselho de Segurança da ONU. No entanto, o ministro francês de Relações Exteriores, Alain Juppé, adiantou que encaminhará ao Conselho de Segurança das Nações Unidas “uma iniciativa para proteger civis que estão sendo atacados”.

Depois da deliberação da Liga Árabe a favor da implantação de uma zona de exclusão aérea (Síria e Argélia votaram contra), o presidente Sarkozy, com interesse na região, volta a tentar liderar iniciativas na sua obstinada luta em busca de protagonismo.

Pano rápido
Até o discurso de domingo, no Rio de Janeiro, o presidente
Barack Obama vai ter de explicar muitas coisas. Além da questão Líbia, terá de dar as razões do seu covarde recuo em não fechar a prisão Guantânamo. E, também,  de voltar a entregar a tribunais militares (cortes ad-hoc) os julgamentos dos acusados de terrorismo.

Como se sabe, as cortes civis não estavam aceitando, nos julgamentos de acusados de terrorismo, provas obtidas sob tortura. Tudo ao contrário do admitido pelo tribunais militares criados por Bush júnior, com jurisdição para atuar, em processos por terrorismo, no enclave cubano de Guantânamo.

Obama voltou atrás com relação à competência das cortes civis. Assim, as cortes militares de exceção, instaladas em Guantânamo, retomaram os julgamentos. E aceitam, para fim de condenação, provas obtidas de modo afrontoso à dignidade humana.

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