Diálogos Desenvolvimentistas Nº 23: PMDB, PSB, DEM, “PDB” e Gilberto Kassab

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Leandro Aguiar

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, parece ter ambições maiores que a prefeitura paulista. Ele pretende se candidatar a governador do Estado de São Paulo em 2014, e, para isso, já se articula nos bastidores. Sua principal estratégia, desfiliar-se do DEM e criar uma nova legenda, o “PDB”, Partido Democrático Brasileiro, vai certamente balançar as estruturas partidárias do Brasil, isso justamente quando se discute a reforma política.

O PDB, que por enquanto é apenas uma possibilidade, contaria com a adesão imediata de 20 deputados federais, seis estaduais e dois vice-governadores (da Bahia e de São Paulo). Especula-se que o partido servirá de trampolim para que políticos migrem para outras legendas (sobretudo o PMDB e o PSB) sem correr risco de perder o mandato por infidelidade partidária, já que a legislação aceita a troca de partido quando ela é feita para um partido recém fundado.  O que se comenta é que o PDB já será criado pensando-se numa futura fusão com o PSB, do governador pernambucano Eduardo Campos.

Honrando suas famas de exímios articuladores, o vice-presidente da república Michel Temer e o governador Eduardo Campos, do PMDB e PSB respectivamente, já se movimentam no apoio a Kassab. Os dois partidos seriam a base de sua candidatura para governador em 2014. Mas esse apoio só será possível se Kassab de fato criar o PDB, uma vez que o DEM não irá tolerar o flerte do prefeito da capital paulista com a esquerda.     

Quais os efeitos de uma fusão do PSB com um partido que já nasce com vocação direitista, que é o que se espera do PDB?

Enquanto isso, o PMDB, caso agremie mais deputados para sua legenda, poderá ultrapassar o PT em número de congressistas, aumentando sua influência no governo Dilma e sua fome por cargos públicos eletivos. Que implicação isso trará?

O Desenvolvimentistas discutiu os bastidores da política brasileira, a suposta nova sigla de Kassab e os rumos do PSB. Acompanhe:

“Brizola chegou a pensar numa fusão com o PSB e, se não me engano, com o
próprio PPS. (…) uma tríplice fusão (PDT, PPS e PSB) abriria um belo espaço para os desenvolvimentistas, trabalhistas e demais órfãos políticos de propostas verdadeiramente progressistas, anti-imperialistas sem xenofobia e até social-democratas (no melhor sentido).”

Rogério Lessa, jornalista

 

“Essa estratégia (do PMDB) só funcionará se o “partido de transição” se fundir com o PMDB. Caso contrário, quem se beneficiará será o PSB.”    

Landes, economista

 

“acho q o jeito é quem se interessa por política se filiar a algum partido com o qual se identifica (ou voltar a militar, no caso de quem estiver afastado) e dar sua contribuição por dentro. Cobrar que tenha democracia interna, prestação de contas, compromissos programáticos etc. (…) agora, sobre o Kassab, até onde sei, ele tem um perfil administrativo como tantos outros por aí… Há algo que o desqualifique?”

Márcio Oliveira, analista político

 

boa parte do EX-PFL cria um novo partido para entrar no Partido Socialista Brasileiro para poderem apoiar o Governo do PT, mostra que a organização partidária brasileira está evidenciando uma completa falência, ao menos nos termos clássicos de se pensar partidos políticos (…)

(…) não faz sentido esperar uma posição clara entre esquerda e direita nos partidos fora do eixo São Paulo – Sul. E de fato, os partidos cuja força relativa esta fora desse eixo (como o PSB) não se comportam “bonitinhos” como seria esperado pelo manual de socilogia da USP (copiado da Europa).

 

Da mesma forma, mesmo os partidos cuja força principal está em São Paulo, nos outros estados se comporta fora do esperado.

 

Então faz sentido cobrar dos partidos no Brasil que se comportam a partir de um script importado que já não funciona direiro nem no local de origem?

 

E mais, se não for para separar os partidos em termos de partido trabalhistas e partido pro capital (ou liberal), para que precisam existir partidos? Porque os representantes não poderiam ser eleitos avulsamente?”

 

“falta um partido assumir no Brasil a Bandeira do Desenvolvimentismo ou do Nacional-Desenvolvimentismo para que a questão Centro-Periferia entre de forma oficial e explícita no debate político. Por exemplo, o PSB, por ser um partido fundamentado principalmente em estados brasileiros periféricos, tem uma base social e conhecimento de problemas reais adequado a fazer esse movimento. O PMDB está na mesma situação.

Como nenhum partido assumiu isso ainda, às vezes as decisões, debate e posições políticas parecem estar sendo muito mais confusas do que realmente estão, uma vez que as legítimas e altamente importantes posições desenvolvimentistas ficam dispersas em um monte de partidos.”

Gustavo Santos, economista

 

“É verdade, porém, que aos partidos que operam nessas circunstâncias (fisiologismo, personalismo, centralismo) é mais difícil manter a clareza, já que seus estatutos dizem uma coisa e a prática do dia-a-dia diz outra (a dicotomia clássica é a assunção por parte dos “trabalhadores” dos interesses do capital, ou de práticas que lhes tira poder, recursos e liberdade), mas isso não significa que não seja possível caminhar em direção a práticas menos corruptoras e a procedimentos mais ideológicos.

(…)

vale a pena ter partidos? Vale, porque, do mesmo modo que, ainda que não haja script pronto, é possível enxergar rumos, é possível buscar separar o joio do trigo no jogo político. Esse processo – de identificação – é perene e é balizado pelas composições partidárias, ainda que haja várias confusões, peças fora de lugar, mesclas, vira-casacas. Os partidos ajudam os operadores da política (infelizmente nem tanto os eleitores, que pouco se importam com a questão) a identificarem seus pares e isso é importante para o jogo político. Negar esse papel dos partidos é simplificar a realidade aos moldes dos editoriais do Jornal Nacional. Do mesmo modo que os scripts não explicam a realidade, jogar tudo no mesmo saco também não. A política é tão complexa quanto a vida.”

Rômulo Neves

“acho que, do ponto de vista do quadro partidário brasileiro, a se confirmar esse movimento, o PSB passa a se posicionar à direita do PT no espectro partidário do país.

Aliás, engraçado pensar que as opções levantadas por Kassab seriam justamente o PMDB ou o PSB. Nessa linha, o PSB passa a, cada vez mais, se parece com o PMDB, um partido de lideranças regionais fortes, sem uma identidade política clara.

Do ponto de vista partidário, o PSB, com esse movimento, poderia se consolidar como um dos poucos partidos médios que sobreviveriam a uma eventual reforma política que acabasse com as coligações nas eleições proporcionais. E parece ser por esse lado pragmático que Eduardo Campos vem se posicionando.

De outro lado, as lideranças do PSB mais identificadas com um programa de esquerda começam a se manifestar contrariamente a esse movimento. Penso que enquanto esse movimento não se confirmar, e essas lideranças continuarem militando no partido, tentarão tensionar à esquerda. Seria interessante, nessa perspectiva, uma tentativa de aproximação com o PDT e outros partidos médios-pequenos de esquerda não radical. Apenas assim poderiam se converter e se firmar como uma alternativa eleitoralmente viável posicionada à esquerda do PT, que rumou ao centro, no espectro partidário nacional.”

Leandro Couto, analista político

2 ideias sobre “Diálogos Desenvolvimentistas Nº 23: PMDB, PSB, DEM, “PDB” e Gilberto Kassab

  1. paulo agostinho de souza filho

    O prefeito Gilberto Kassab, está de parabéns, na formação do PDB, chegou a hora para que o povo renova a esperança, tendo uma opção de ver um partido com visão e praticar no dia a dia uma renovação na política brasileira.

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