Leandro Aguiar
O governo brasileiro está prestes a dar início a um de seus mais arrojados projetos. Trata-se do TAV, o Trem de Alta Velocidade, que ligará São Paulo ao Rio de Janeiro. Numa velocidade superior a 250 quilômetros por hora, o TAV vai atender a região que concentra 33% do PIB brasileiro, e aonde residem 20% da população. Os investimentos previstos são da ordem de 30 bilhões de reais, sendo que mais da metade desse valor será financiado pelo BNDES. As críticas que o projeto recebe, entretanto, são proporcionais ao tamanho da obra.
Aqueles que discordam do TAV chamam atenção para a rapidez com que o projeto está sendo preparado, sem o devido diálogo entre o governo e a sociedade. Atentam também para o que poderia ser feito com tanto dinheiro, como por exemplo o aumento da linha metroviária das grandes capitais, que sofrem com o trânsito caótico. Outro argumento recorrente é o de que o TAV não será lucrativo em médio prazo, e o dinheiro para cobrir o prejuízo, claro, não sairá do bolso do investidor privado, mas sim do contribuinte.
Ou seja: o TAV, além de dar pouco retorno econômico e social, e irá gastar uma vultuosa quantia de dinheiro, que poderia ser investida em projetos alternativos mais interessantes.
Esse pensamento, claro, não é hegemônico. Os que defendem o TAV argumentam que o projeto é autofinanciável, e, portanto, o dinheiro despendido não atrapalhará o investimento em outras obras. Ainda, o trajeto Rio/São Paulo tem um formidável potencial, capaz de tornar o TAV lucrativo. Por último, ao contrário do que dizem os críticos, o trem-bala dará, sim, alto retorno a sociedade, dizem seus defensores.
Acompanhe as considerações do Desenvolvimentistas, a respeito do TAV:
“O projeto não afeta em nada a capacidade de financiar nenhum outro projeto no país, pelo contrário, como é altamente rentável em termos de externalidades, aumenta a capacidade do governo fazer mais investimentos em outras áreas”
“esse argumento (de que o investimento no trem-bala inviabiliza outros investimentos) não é válido, porque o projeto é auto-financiável, o custo é zero, aliás o custo líquido é negativo! Portanto, ele não afeta em nada a capacidade de se investir em outros projetos. Pelo contrário, investir no Trem de Alta Velocidade aumenta a capacidade do governo gastar mais em outras atividades, como fferrovias, universidades, metrôs, entros de pesquisas, boas escolas, bons hospitais etc.
Gustavo Santos, economista
“Quando o projeto é estatal o déficit é socializado, e é ou pode ser compensado pelos benefícios indiretos não internalizados pela empresa, mas que vão compensar o investimento e os custos de operação. A empresa privada não pode socializar custos, ou déficit. Ela vai depender do Estado para obter o equilíbrio econômico financeiro, e esta é uma das razões para a existência das PPP’s. O trem bala não vai se pagar, o Estado vai precisar oferecer subvenções à empresa, subsidiando sua atividade e inclusive seu lucro e o dos acionistas, vai utilizar portanto recursos públicos.
O que se discute portanto, no projeto é a alocação dos recursos públicos. A tese, com a qual eu concordo, é que eles seriam mais bem utilizados (com maior benefício social, isto é, satisfazendo necessidades de um número maior de pessoas) em outras frentes, como o transporte urbano de passageiros.
Por enquanto, a idéia que tem emergido é que este trem está destinado a camadas de maior renda, vai cobrir trajetos que levam ao exterior (aos aeroportos, por exemplo), e vai ser caríssimo, beneficiando sobretudo empresas localizadas no exterior que vão exportar para o Brasil seus equipamentos. E eu concordo. Do ponto de vista da rede ou malha ferroviária, digo também que o desenho proposto não é prioritário, não é o que indicaria um planejamento de longo prazo (maior do que 25 anos).”
Ceci Juruá, economista
