Leandro Aguiar
Foi divulgado na semana passada um estudo cambial do Banco para Compensações Internacionais, uma espécie de articulador entre os Bancos Centrais de todo o mundo. Nele, Real é apontado como a moeda que mais se valorizou nos últimos anos, dentre as 58 maiores economias do globo.
Se você pretende ir ao exterior nos próximos meses, quer comprar um carro importado ou está de olho no novo Iphone, a atual valorização do Real é uma boa notícia. Mas caso você seja um industrial brasileiro, desses que exportam produtos, a apreciação da nossa moeda provavelmente lhe causa calafrios.
A princípio, o câmbio valorizado auxilia no controle da inflação. Ele facilita a entrada de produtos importados, que concorrem os nacionais, diminuindo o reajuste dos preços. No atual momento, entretanto, com a inflação sob controle, o Real sobrevalorizado não traz benefícios deste tipo para a economia.
O Desenvolvimentistas discutiu a valorização da moeda, e todos concordam que o dólar a 1 e 60 e poucos centavos de Real é insustentável a longo prazo. Acompanhe:
“Pergunto se parte dessa valorização seria devida à uma desvalorização exagerada anterior. Digo isso porque vi aquele índice Big Mac do Economist, e ali a valorização é de menos de 40%. Além disso, a filosofia não é a de câmbio flutuante?”
Roberto Pereira D´Araújo, engenheiro
“Acontece que o câmbio flutuante, junto com o excesso de dólares derramado pela política de monetização da dívida norte-americana, permite que os grandes players do cassino global, isto é, os bancos globais e os conglomerados, invadam qualquer país e forcem a valorização das moedas locais. Isto não é mercado livre, é manipulação do câmbio por oligopólios mundiais. A economia brasileira não tem dimensão para acolher a moeda podre que chega, incentivada pelo câmbio flutuante e seu reverso – a taxa básica de juros.”
Ceci Juruá, economista
“Este câmbio atual está destruindo a indústria brasileira e, portanto, boa parte de nosso futuro. A única referência precisa sobre o quanto o câmbio está valorizado é o interesse público nacional. Qualquer outra referência é arbitrária. Porque dependendo do ponto no tempo em que começamos a medir o câmbio está mais ou menos valorizado, ou se usamos como referência uma “cesta de consumo” (ex: o (índice) big mac), ou outra, também é arbitrário.”
Gustavo Santos, economista

