Leandro Aguiar
Apesar dos números da economia brasileira em 2010, que apontaram para o aumento de 11% das vendas no comércio, elevação estimada de 7,8% do PIB e recorde no crescimento da produção industrial, que foi de 10,5%, economistas e analistas políticos andam preocupadíssimos com o que nos espera num futuro próximo. Nas previsões mais nefastas destes especialistas, se a crise dos mercados financeiros de 2008 foi uma bala que nos acertou de raspão, nos próximos anos o tiro poderá ser certeiro.
Juros altos, real sobrevalorizado, desindustrialização, inflação. São esses problemas – que se alimentam mutuamente – que tiram o sono de 8 a cada 10 economistas que eu conheço.
Bruno Galvão, Gustavo Santos e Ceci Juruá, todos economistas, discutiram os rumos do Brasil nos próximos anos, e expressaram seu pessimismo moderado, de quem acredita que a situação não é irreversível, contanto que tenhamos lideranças inteligentes e capazes de ler a atual situação em que nos encontramos. Acompanhe as principais aspas:
“qual é o futuro de um país que dá mais importância para a inflação ser 4,5% e não 5,9% do que impedir a completa destruição da competitividade da indústria nacional? Que (considera) mais importante ouvir elogios do mercado financeiro internacional do que traçar uma estratégia de desenvolvimento nacional?”
“É impressionante que depois de uma valorização nominal de 100% em relação ao dólar e de uma valorização real de 150%, a inflação não consegue convergir para a taxa dos EUA. Isso demonstra que há algo muito errado com a economia brasileira. Os preços no Brasil estão muito mais elevados do que no resto do mundo e o diferencial dos preços do Brasil e do resto do mundo continua a aumentar.”
“Mas, o mais desanimador foi o BC ter aumentado a taxa de juros. Estamos caminhando para uma taxa de juros real de 7% a.a., enquanto não há qualquer país no mundo com taxa de juros real maior do que 2% a.a. Mas, e a inflação? O Brasil é um dos únicos países que cumpriu as metas de inflação nos últimos anos. Não há justificativa para choque de juros, quando a inflação está dentro do intervalo das metas. Muito menos quando o câmbio está tão valorizado.”
Bruno Galvão
“O desafio que está colocado para nós – partidários do desenvolvimento soberano – é saber se é possível avançar no programa nacionalista de Lula sem desmontar integralmente as armadilhas do Plano Real, articuladas com propósitos de recolonizarão e desenvolvimento não-soberano. Pessoalmente tenho dúvidas, e se me fosse dado montar uma estratégia, eu daria prioridade a desmontar a questão do endividamento público, reduzindo abruptamente, com audácia, a taxa de juros para o teto da inflação – 6% – acrescentando apenas 1% na taxa real. Uma SELIC de 7% pode ser a nossa reivindicação.”
“Continuaremos nossa luta e venceremos, no nosso passo e no nosso tempo. Invasões (neoliberais) como a que tem ocorrido desde 1990 foram muitas. Tentativas de aculturação também. Pilhagem foram inúmeras. Mas nós sempre vamos, e sempre continuaremos a ir em frente.”
Ceci Juruá
“O Pimentel foi encarregado de resolver esse problema e de evitar que essa crise aconteça. Mas o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, sozinho, jamais será capaz de resolver isso. O Ministério da Fazenda e o Banco Central precisam cooperar muito para isso! Tenho poucas esperanças que mudem a tempo. Por mais que a Dilma tenha feito várias coisas melhor do que o Lula, tem que fazer muitíssimo mais.”
Gustavo Santos
“(A crise) Deve vir lá para 2013. E aí, o bicho pega. O modelo é baseado na expansão do crédito privado (mais endividamento e problema de alavancagem). E maiores serão os passivos externos do Brasil. Solução:
1) Usar os limites superiores da meta de inflação, como qualquer país usa.
2) Inflação deve ser combatida de outras maneiras que não a valorização do câmbio.
3) Temos que desvalorizar a moeda. Desvalorização mesmo: R$2,30/US$. Isso, aliás, é pouco. Vender reservas só a partir de determinado ponto, ao contrário do que o BC faz hoje.”
Bruno Galvão
