TV digital via rede elétrica é opção para o país

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Regiane de Oliveira (roliveira@brasileconomico.com.br)

Tecnologia de transmissão de dados está pronta para promover inclusão em regiões distantes, mas falta interesse comercial.

Uma notícia divulgada nesta semana pela Agência USP, da Universidade de São Paulo, ganhou destaque em portais voltados para novas tecnologias: os resultados do teste com TV digital via rede elétrica no Maranhão, feitos por pesquisadores da Escola Politécnica da USP em parcerias com empresas e entidades brasileiras e europeias.

A ideia é simples e está em linha com o plano de expansão da banda larga no país. Ao invés de instalar cabos de fibra óptica para transmissão de dados, utiliza-se a rede elétrica existente para levar o sinal da televisão digital interativa – na qual o usuário tem a possibilidade de interferir com a programação – para regiões mais afastadas do país.

O projeto, batizado de Samba, sigla em inglês de sistema avançado de televisão digital interativa e serviços móveis (System for advanced interactive digital television and mobile services in Brazil) consiste na utilização do sistema de comunicações por meio de linhas de força ( PLC, na sigla em inglês de Power Line Communications) – tecnologia que transforma as redes de energia elétrica em transmissoras de dados.

Os trabalhos foram realizados durante três meses em 2009 na cidade de Barreirinhas, localizada a 272 km de São Luís, no Maranhão.

“Comprovamos que com esta tecnologia é possível disponilizar um canal de comunicação de baixo custo, que possibilita a qualquer usuário criar sua própria programação”, afirma André Hirakawa, coordenador do grupo do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Poli-USP. De acordo com o Hirakawa, em Barreirinhas, a televisão ganhou status de computador.

O custo de instalação do sistema PLC foi baixo, cerca de R$ 20 mil , enquanto a banda larga não sairia por menos de R$ 50 mil na região.

Boas ideias, pouca continuidade

Dois anos após a instalação-piloto, a cidade de Barreirinhas conta apenas com boas lembranças e promessas de continuidade. Segundo Alexandre Bagarolli, gerente de soluções de infraestrutura do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CPqD), o sistema de PLC é viáveis para atender regiões remotas do país e promover inclusão, especialmente no que diz respeito aos avanços técnicos e regulatórios.

Porém, a solução não apresenta viabilidade comercial em grandes centros. “A dificuldade, que não é só do Brasil, é fazer este tipo de projeto virar um negócio rentável”, afirma.

A saída deve vir de uma ação oficial. “O governo está preocupado com a questão e a nova Telebrás, por exemplo, pode ter o papel de viabilizar estes projetos”, avalia Bagarolli.

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