Leandro Aguiar
“Desde a Era Keynesiana, iniciada em 1936, sabemos que Gastos (Gastos Correntes e Investimentos) realizados pelo Estado elevam a Renda complementando a instabilidade crônica dos investimentos privados.”
As palavras acima, ditas pelo funcionário do BNDES Hélio Pires, embora sejam bem compreensíveis individualmente, podem não significar muito para você como conjunto, salvo se você for um aficionado em Teoria Econômica.
O que o economista quis dizer, no entanto, é fácil de ser entendido até por leigos, e explica em parte o atual momento econômico vivido pelo Brasil.
Sendo bastante sintético, ainda nas palavras de Hélio Pires, é o seguinte:
”os Investimentos geram suas próprias poupanças (são autofinanciáveis) e tanto os Investimentos e os Gastos do Governo geram Impostos.”
Ou seja: quando o governo investe, por exemplo, em educação, na compra de materiais, contratação de pessoal e melhoria da estrutura física das escolas, o resultado não é apenas a geração de conhecimento, o que por si só já justificaria o investimento. Além disso, esse investimento contribui no aumento do PIB, como explica o trecho do artigo “Gasto social com educação é o que mais eleva o PIB” do jornalista Rogério Lessa:
“Ao comparar tipos diferentes de gasto social, o Comunicado (do Ipea) concluiu que aquele destinado à educação é o que mais contribui para o crescimento do PIB, haja vista a quantidade de atores envolvidos nesse setor e os efeitos da educação sobre setores-chave da economia. “O gasto na educação não gera apenas conhecimento. Gera economia, já que ao pagar salário a professores aumenta-se o consumo, as vendas, os valores adicionados, salários, lucros, juros”, explicou o diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão.”
A noção de que o investimento estatal ajuda a dinamizar a economia, além de gerar receita para o próprio Estado, foi introduzida pelo economista britânico John Keynes, na primeira metade do século 20. Ela surgiu confrontando a idéia de que “a oferta cria sua própria procura”, ou seja, de que a economia funciona melhor sem a interferência estatal. Nas palavras de Hélio Pires:
“duas questões são comuns e revolucionárias no pensamento Kalecki/Keynesiano: o Investimento gera sua própria Poupança ex-post e gastos públicos antecedem e geram Impostos! Eles estão dizendo que a demanda e, consequentemente, a renda, dependem do investimento e dos gastos do governo.”
Além disso, em tempos de crise, só o Estado poderia alavancar a economia, explica Pires:
“Agora, todos recorrem à Minsky, que em resumo descreve, em sua tese “Uma Hipótese de Instabilidade Financeira”, que os ciclos capitalistas terminam em estouro de “bolhas”, no qual só a presença do “Grande Governo (Estado)” e do “Grande Banco (Bancos Oficiais)”, atuando com “emprestadores de última instância”, seguram o sistema até a próxima crise.”
O que Keynes e outros economistas demonstraram na teoria, o Brasil e outros países vivenciaram na prática. A recessão que se iniciou em 2008, por exemplo, só não tomou proporções mais alarmantes no Brasil, em parte, devido aos investimentos do governo na distribuição de renda. Como disse Jorge Abrahão, presidente do Ipea, ao jornalista Rogério Lessa, “Ele (o investimento) foi muito importante para o Brasil superar a crise de 2008. Esse gasto tem uma grande importância como alavanca do desenvolvimento econômico e, logicamente, do bem-estar social”.
O economista Hélio Pires fez sua leitura do artigo de Rogério Lessa. Acompanhe a conclusão:
“Quando o IPEA conclui que gastos sociais em Bolsa Família, Educação e Saúde geram 56% dos gastos em impostos, está corroborando as teses citadas, uma vez que estes gastos têm alto conteúdo de impostos além de que os efeitos posteriores do giro da atividade econômica acabam gerando mais impostos. Por isso defendemos um Plano de Desenvolvimento Nacional que ataque de vez, através da função planejamento, a eliminação de nossa dívida social dentro de um horizonte determinado, dado que ele é autofinanciável através do seu próprio crescimento e pela utilização de nossa mão de obra informal e de nossos recursos naturais!”
