Leandro Aguiar
A energia nuclear retoma o status de “energia do futuro”, e volta com tanta força que até os ambientalistas, antes inflexíveis, passam a rever seus pontos de vista.
Há algumas décadas a fissão nuclear era enxergada como uma forma cara e perigosa de se gerar energia, sendo viável somente para países sem opções menos custosas, como a França, Alemanha e Japão. Hoje, principalmente por causa da busca por energias “isentas” de gases que provocam o efeito estufa, ela é uma realidade (leia o texto de Leonam dos Santos).
O papel que será dado a energia nuclear no governo Dilma já foi tema de debate no Desenvolvimentistas. Estratégico a médio e longo prazo, a forma como será ampliado programa nuclear brasileiro veio à tona novamente. Acompanhe as aspas de Roberto Pereira D´Araujo, engenheiro eletricista:
“Continuaremos a ser os fabricantes de produtos básicos da indústria? Continuaremos em busca de recursos naturais para viabilizar tal inserção no mundo? Segundo a Empresa de Pesquisa Energética, até 2019 teremos aumentos impressionantes em cargas industriais. Alumínio (+ 28%), Aço bruto (+ 143%), Ferroligas (+134%), Celulose (+48%), Cimento (+89%), Soda-Cloro (+89%), Alumina (+128%), Petroquimica (+53%), Pelotização (+ 145%), Cobre (+287%) e Bauxita (+103%). Se é esse nosso caminho, precisamos de todas as fontes e devemos nos preparar para enfrentar os conflitos crescentes decorrentes dessa escolha.
(…)
(outro) aspecto é o da eficiência energética. Como se sabe, cerca de 20% da energia elétrica produzida é perdida na rede e no consumo. Grande parte dessa perda ocorre na distribuição, sendo que há Estados aonde esse índice chega a mais de 30%. A legislação, condescendente com as empresas, permite que toda energia, a perdida e a roubada, seja cobrada dos consumidores que pagam. As metas de redução de perdas são complacentes e muito pouco fiscalizadas. Assim, de certo modo, as distribuidoras não são as mais afetadas.
(…)
Pagamos uma taxa para promover a eficiência energética. Quem administra esse recurso são as distribuidoras, justamente as que não têm nenhum interesse em reduzir sua demanda.
(…) o modelo mercantil em vigor no Brasil, querendo a todo custo mimetizar sistemas completamente distintos, realizou leilões onde vence quem tem o melhor ICB (Índice Custo Benefício), com um critério altamente contestável. Resultado: Mais de 6.000 MW de térmicas a óleo combustível e diesel contratadas. A verdadeira marcha a ré em política energética. E o pior! Dado o alto custo, raramente geram.”

