As possibilidades americanas de estender sua influência global estão ligadas não só ao seu poderio bélico, mas certamente às ferramentas econômicas das quais os EUA dispõem. Em artigo publicado no Valor Econômico, o professor José Luiz Fiori, da UFRJ, explica que a estratégia americana de desvalorizar a moeda enquanto aumenta sua presença militar em diferentes localidades não é nova. Ela já foi utilizada em 1973, quando os Estados Unidos abandonaram o regime de Bretton Woods, causando a primeira grande recessão desde o fim da Segunda Grande Guerra. No mesmo artigo, o professor Fiori explica que há diferenças fundamentais entre os dois cenários, já que agora o principal rival econômico dos EUA é a China, e não mais a União Soviética, o que determina uma relação econômica diferente. O desafio agora é claro, de acordo com outra analista da área, a professora Vera Thorstensen da FGV: empoderar a OMC enquanto mediadora da chamada “guerra cambial”.essa é,ainda de acordo coma professora Vera, uma das tarefas da diplomacia brasileira. Mas como a nova equipe econômica deve se portar em tempos tão complicados para o cenário cambial?
O trio Míriam-Mantega-Tombini, somados ao presidente do BNDES que, muito provavelmente, deve continuar Luciano Coutinho, dá o tom da continuidade para a economia no país, mas tende a deslocar as decisões mais para a presidente eleita do que deixá-la nas mãos dos ministros. É ela que deve direcionar decisões e soluções sobre como cumprir a alta meta de crescimento em meio à valorização do câmbio e às tendências de inflação. Contar com o apetite dos chineses pelas nossas exportações é suficiente? A expectativa geral é que Dilma não conte com os mesmos bons ventos que sopraram para Lula, considerando, por exemplo, a agitação dos europeus com a crise fiscal, que cobra revisões de cada um dos países do continente. Além do cenário global, o trio econômico pode esbarrar no principal desafio da presidente eleita: as relações com o PMDB, que saiu enorme das eleições 2010.
O analista Leandro Couto avalia que a nomeação de Miriam Belchior é positiva para o Ministério do Planejamento. “[Míriam] é gestora, vai pra tocar o PAC, acho que não vai deixar o orçamento criar empecilhos pra que as principais obras do governo sejam tocadas” explica. Ele afirma ainda que Míriam não deve interferir nas principais políticas da Presidenta para a área. Apesar da definição do trio, o Planejamento ainda precisar de outras nomeações para que haja uma expectativa final sobre sua atuação. “Não creio nem que vá interferir decisivamente na política econômica, vai apenas seguir a linha da presidente, o que já é alguma coisa. Mas, e o planejamento de médio e longo prazo? E a articulação disso com o médio e o curto prazo? Vai manter a SAE [Secretaria de Assuntos Estratégicos] isolada dos demais órgãos? E o MDIC [Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior]?”
As chefias dos próximos ministérios e secretarias devem ser anunciadas até o meio de dezembro. Nomeações de pastas como o MDIC dependem da negociação com os partidos da base aliada. A expectativa é que sejam feitas alterações institucionais, por exemplo, na própria estrutura dos ministérios, por isso a dúvida quanto ao status futuro da SAE. Os nomes a serem anunciados devem ser os dos cargos palacianos: Antonio Palocci para a Casa Civil, Gilberto Carvalho na Secretaria-geral da Presidência, Paulo bernardo no Ministério da Previdência e José Eduardo Cardozo no Ministério da Justiça. Edison Lobão deve permanecer na pasta das Minas e Energia. Moreira Franco, do PMDB, também já é nome garantido no novo governo.
