Grandes Desafios Econômicos de Dilma e o trio de 4

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A equipe econômica de Dilma Rousseff deve ser anunciada já nos próximos dias. Depois de um sem-número de reuniões a portas fechadas com especialistas e com os nomes mais cotados, três políticos saem fortalecidos: Guido Mantega, mantido no Ministério da Fazenda, Míriam Belchior para o Ministério do Planejamento e Alexandre Tombini no Banco Central. Se esse for o trio definido para para o Conselho Monetário Nacional – CMN, Luciano Coutinho acabará ficando no BNDES, porque Dilma não quer prescindir da participação dele no primeiro time. Portanto, a escolha desses 3 acaba definindo 4 cadeiras.

Assim, são grandes as chances de Paulo Bernardo ir para a Casa Civil, e Antonio Palocci se tornar uma espécie de secretário especial no Palácio do Planalto.

Luciano Coutinho é nome certo no BNDES. A grande dúvida é Nelson Barbosa, que também deverá ter um cargo no primeiro escalão.

O panorama dessas nomeações é de continuidade. Dilma parece ter reunido as sugestões de Lula para não alterar o quadro de maneira significativa e seu próprio objetivo de colocar um disciplinado executor de tarefas no planejamento para garantir o cronograma de execução do PAC.

Porém, com esse trio relativamente continuista na CMN, corre o risco de de ter uma equipe com de falta de criatividade, de capacidade analítica e coragem para questionar a chefia. Isso pode trazer problemas para a gestão econômica nos primeiros 2 anos do mandato Dilma.

Ó cenário internacional para o governo Dilma é muito mais pessimista do que foi para Lula em 2002, quando eleito, até 2008. E depois de 2008, apesar do susto inicial, o cenário continuou favorável. A crise bancária foi relativamente paralisada pela ação ágil do governo americano e copiada por quase todos os países desenvolvidos.

Para as exportações brasileiras, a leve recessão que se seguiu nos países desenvolvidos, foi compesada pela maior expansão chinesa que fomentou a demanda por commodities. E em termos do nosso balanço de pagamentos fragilizado, a super expansão de liquidez fez com que o governo não tivesse que tomar nenhuma medida macroeconômica difícil.

Certamente temos que parabenizar o governo Lula pela oportuna e bem-sucedida opção desenvolvimentista durante a crise. Porém, na gestão da política monetária, continuou evitando mexer no essencial: os juros mais altos e o câmbio mais valorizado do mundo.

Como ela manterá a meta de crescer acima de 5% com um cenário ao mesmo tempo inflacionista, com câmbio valorizado, recessão mundial e meta de redução elevada da dívida pública, sem tomar medidas difíceis e criativas?

Para piorar, o cenário internacional ficará cada vez mais díficil e se houver uma crise cambial no meio do mandato, ela não terá a mínima chance de recuperar a governabilidade e a popularidade antes de 2014. Nesse caso, o trio econômico poderá ficar mesmo de 4.

Abaixo vai um comentário econômico do César Maia que tem pontos a serem observados. Cesár Maia é oposição ao governo e seus comentários devem ser vistos a partir dessa ressalva, porém é um bom economista e fez na última edição de seu “ex-blog” alguns alertas que merecem nossa atenção.

“RAZÕES ESPERTAS PARA SAÍDA DO MEIRELLES DO BANCO CENTRAL!

1. Com a experiência acumulada do Meirelles no setor privado, onde aprende disciplina, em sua candidatura vitoriosa a deputado federal pelo PSDB de Goiás em 2002 e nesses oito anos de governo Lula, onde adquiriu até status de ministro, não se concebe uma atitude juvenil como essa, criando constrangimento à presidente pelos jornais. “Só fico com autonomia”, disse. Então por que vazou para a imprensa essa “exigência”?

2. Elementar a dedução. 2011 será um ano difícil. A inflação pelo IPCA aponta para 7% a 8%. Pelo IGP-FGV já passou disso, e com todo o câmbio valorizado, o que não é comum. A taxa de juros terá que subir. O crescimento do PIB vai cair para 3%, ou menos. Um juro maior atrai capital de curto prazo. O câmbio é pressionado para ficar como está. Mas a balança comercial -especialmente para o setor industrial- não resiste mais esse câmbio. O déficit em conta corrente vai para pelo menos 60 bilhões de dólares. Mas desvalorizar o real por intervenção empurra ainda mais a inflação para cima e afeta a expectativa do mercado no novo governo. Ou seja: se ficar o bicho pega; se correr o bicho come.

3. Meirelles quer continuar com sua imagem pessoal sem mácula e forçou sua saída para que não tenha que enfrentar 2011 como presidente do Banco Central e ser cogestor de um ano de recessão, inflação alta, juro crescente, problemas cambiais e na conta corrente do balanço de pagamentos. E assim, promoveu um golpe esperto: criou um incidente e sai sem pedir, mas por decisão do novo governo. Esse jogo só agrava a expectativa que se tem sobre 2011. Sinal mais claro não poderia ocorrer.”

Por Pedro Nogueira. Colaborou a equipe do Portal Desenvolvimentistas.

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