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	<title>Blog do Adriano Benayon &#187; Rogério Lessa</title>
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	<description>Pelo desenvolvimento nacional, contra o imperialismo</description>
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		<title>Tirania financeira</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Jan 2013 22:04:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Rogério Lessa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Michael Hudson, professor da Universidade Misouri-Kansas, escreveu excelente artigo, &#8220;O enganoso abismo fiscal dos EUA em 2012&#8243;. A enganação diz respeito a que o déficit orçamentário não precisaria existir (mas existe) e às suas reais causas. Ele está em US$ &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/benayon/2013/01/23/tirania-financeira/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Michael Hudson, professor da Universidade Misouri-Kansas, escreveu excelente artigo, &#8220;O enganoso abismo fiscal dos EUA em 2012&#8243;. A enganação diz respeito a que o déficit orçamentário não precisaria existir (mas existe) e às suas reais causas.</p>
<p>Ele está em US$ 14 trilhões, o equivalente a quase um PIB anual dos EUA e menos que seu governo gastou para salvar os bancos. Nouriel Roubini aponta que o recente acordo entre Obama e parlamentares do Partido &#8220;Republicano&#8221; prenuncia novo colapso, pois prevê reduções fiscais, e não há como abrir mão de receitas tendo que cobrir um déficit dessa magnitude.</p>
<p>Os economistas do sistema clamam que, para reduzir os déficits públicos, há que: 1) cortar despesas sociais, obrigando os trabalhadores a financiarem seus planos de saúde e aposentadorias; 2) fazer que o Estado deixe de investir nas infra-estruturas econômicas e sociais; 3) demitir servidores; 4) privatizar as propriedades e os serviços públicos.</p>
<p>O Brasil seguiu, mais de uma vez, esse caminho, o que intensificou os malefícios da desnacionalização, encetada em 1954, e causa primordial de o país estar muito atrás de países, antes, muito mais pobres. O serviço da dívida e as privatizações acabaram de inviabilizar o desenvolvimento, de modo irreversível até que sejam substituídas as atuais estruturas econômicas e políticas.</p>
<p>A Europa &#8211; desprovida de soberania, pois o Banco Central não emite moeda para financiar os países membros &#8211; arruina-se através das políticas de &#8220;austeridade&#8221;, que agravam a depressão a pretexto de reduzir os déficits públicos gerados pelo colapso dos derivativos.</p>
<p>Os EUA só não estão de todo afundados por empregarem a força para obrigar produtores de petróleo a vendê-lo em dólares e por emitirem-nos à vontade para pagar importações e o serviço da dívida.</p>
<p>Os analistas não submissos mostram que os déficits não provêm das despesas sociais nem dos investimentos públicos nas infra-estruturas. Na verdade, os orçamentos do Estado foram onerados pelas operações de socorro aos grandes bancos, que ficaram em dificuldades quando os derivativos se revelaram títulos podres, após terem gerado lucros fantásticos para seus controladores.</p>
<p>Em suma, a oligarquia financeira, dona desses bancos e de outras indústrias dominantes, comanda, através de títeres políticos, os governos das &#8220;democracias&#8221;, bem como os formadores de opinião em cátedras e nos meios de comunicação.</p>
<p>Ela subordina a todos, por meio das políticas fiscal e monetária. Os 0,01% da oligarquia (incluindo executivos) são privilegiados por isenções fiscais e como credores, com o endividamento do Estado e de mais de 90% da população.</p>
<p>Por isso não admitem que os Tesouros nacionais emitam moeda para financiar o de que precisa a economia. Criou-se a mentira &#8211; aceita como verdade &#8211; que isso seria inflacionário. O sistema exige que o próprio o Estado, endividado por ter socorrido os bancos, dependa do crédito deles.</p>
<p>O cartel dos bancos, nos EUA, recebe dinheiro emitido pela Reserva &#8220;Federal&#8221; a juros de 0,25% ao ano, muito abaixo da taxa da inflação, e aplica em títulos especulativos e nos de países, como o Brasil e a Austrália, que se deixam tosquiar pagando juros elevados nos títulos públicos.</p>
<p>Como assinalei em artigo, &#8220;No Limiar de 2013&#8243;, não interessa à oligarquia acabar com a depressão, que dela se serve para quebrar o poder e a resistência de quantos pretendam equilibrar a sociedade e promover seu bem-estar.</p>
<p>O orçamento equilibrado é um dos instrumentos ideológicos para arranjar depressões. Falam da economia como se esta devesse ser gerida por quitandeiros ou políticos demagogos, na linha de Cícero (século I AC): &#8220;Não gaste mais do que arrecada&#8221;.</p>
<p>Michael Hudson recorda que as depressões coincidiram com períodos de superávit orçamentário. Este precedeu e/ou acompanhou as seis depressões iniciadas em 1819, 1837, 1857, 1873, 1893 e 1929. A atual, iniciada em 2007, é efeito retardado dos superávits de Clinton (1998-2001), postergada em consequência das bolhas da internet e dos imóveis residenciais, com inusitada explosão do crédito.</p>
<p>Quanto mais obtém maior concentração de riqueza &#8211; reduzindo assim o poder relativo inclusive dos ricos fora do topo da pirâmide &#8211; mais a oligarquia se converte em tirania.</p>
<p>Discordo de Hudson quando conclui que isso é não é capitalismo, mas sim feudalismo. Na verdade, o capitalismo converte-se em algo pior que o feudalismo, porque nele não há limites à concentração.</p>
<p>Quanto ao Brasil, lembrou, há pouco, Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES: &#8220;Não estamos sequer reproduzindo a República Velha. Esta República atual praticamente universalizou a desnacionalização.&#8221;</p>
<p>Enquanto isso, o sugado povo brasileiro é distraído pelo &#8220;combate à corrupção&#8221;, como se essa não fosse sistêmica. Milhões indignaram-se com o mensalão e aplaudem o STF. Entretanto, até hoje, dormem, engavetados nos tribunais superiores, os processos em foi provada a colossal roubalheira das privatizações (elétricas, telecomunicações, siderúrgicas, bancos estaduais), após terem esses tribunais cassado as liminares concedidas para sustá-las. Elas já completaram, impunes e consolidadas, 15 anos em média.</p>
<p>Mais tragicômico: os atuais &#8220;governantes&#8221;, além de nada terem feito para mudar a triste estrutura formada conforme o Consenso de Washington, usam o BNDES e a política fiscal para cevar ainda mais os concentradores, principalmente transnacionais, que desviam renda nacional, em quantias crescentes, para o exterior.</p>
<p>Isso é pouco para a mídia e demais alienados &#8211; antinacionais, desde antes do primeiro golpe contra Getúlio Vargas, 1945. Trabalham pela volta dos perpetradores do desastre em mega-doses. Mais: mesmo fora dos dois partidos ocupantes do Planalto nos últimos 18 anos, falta espaço, sob as instituições presentes, para lideranças capazes de oferecer alternativa real.</p>
<p>Adriano Benayon</p>
<p>Doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.</p>
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		<title>Três aniversários</title>
		<link>http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/benayon/2012/09/14/tres-aniversarios/</link>
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		<pubDate>Fri, 14 Sep 2012 10:06:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Rogério Lessa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[manchete]]></category>

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		<description><![CDATA[Adriano Benayon – 11.09.2012 I &#8211; 24 de agosto de 1954 Este aniversário é o da deposição do presidente Getúlio Vargas, programada e dirigida pelos serviços secretos estadunidense e britânico. 2. A quadra histórica era decisiva. O Brasil – desde &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/benayon/2012/09/14/tres-aniversarios/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Adriano Benayon – 11.09.2012</p>
<p><strong>I &#8211; 24 de agosto de 1954</strong></p>
<p>Este aniversário é o da deposição do presidente Getúlio Vargas, programada e dirigida pelos serviços secretos estadunidense e britânico.</p>
<p>2. A quadra histórica era decisiva. O Brasil – desde sempre dotado de colossais recursos naturais – havia, a partir de 1930, acelerado o processo de substituição de importações industriais, graças a três fatores principais:</p>
<p>a) a falta de divisas, advinda da crise financeira e econômica mundial, &gt; com a queda da demanda por café e outros produtos primários;</p>
<p>b) a tensão entre potências mundiais de 1933 a 1939, e daí a 1945 a &gt; Segunda Guerra Mundial;</p>
<p>c) a Revolução de outubro de 1930 e os posteriores eventos políticos no &gt; Brasil até à primeira deposição de Getúlio Vargas, em 29.10.1945.</p>
<p>3. Os dois primeiros fatores são as condições de crise e oportunidade. O  terceiro é o papel das instituições políticas geradas em resposta à  crise, as quais transformaram a estrutura econômica no sentido de &gt; reduzir a dependência da exportação de matérias-primas. Além disso, Vargas mandou proceder à auditoria da dívida e liquidou os títulos no &gt; mercado secundário, com grande desconto.</p>
<p>4. Ele se manteve na chefia do governo durante aqueles 15 anos, &gt; conquanto de novembro de 1937 a 1945 dependesse das Forças Armadas, a &gt; fonte de poder instituidora do Estado Novo.</p>
<p>5. Por terem as políticas de Getúlio Vargas desagradado as potências &gt; anglo-americanas, era questão de tempo ele ser apeado da presidência, &gt; terminada a Guerra Mundial (maio de 1945),</p>
<p>6. Durante a Guerra, Vargas teve de colaborar com essas potências, as &gt; quais, não mais precisando dele, teleguiaram a oligarquia local, &gt; políticos, mídia e chefes militares para depor o “ditador”, sob o &gt; pretexto de que queria ficar no poder.</p>
<p>7. Isso não tinha cabimento, porque Vargas convocara eleições e se &gt; dispunha a passar a presidência ao eleito. O golpe de 1945 foi só &gt; vingança e tentativa de humilhar o líder trabalhista.</p>
<p>8. Por ocasião do golpe de 1937, os chefes militares, movidos pelo anticomunismo, estavam divididos entre simpatizantes do imperialismo anglo-americano e partidários das potências nazi-fascistas. Assim, Vargas pôde atuar como fiel da balança e no interesse nacional</p>
<p>9. Os militares nacionalistas não ocupavam posições que lhes  habilitassem a imprimir rumos diferentes, em 1937, e menos ainda em  1945, quando os de tendência fascista convergiram com os admiradores das  potências anglo-americanas.</p>
<p>10. Eleito em 1945, o Marechal Dutra (1946-1950), mentor do golpe de 1937, reprimiu os comunistas, converteu-se mais que à “democracia” , à  abertura irrestrita às políticas do agrado de Washington.</p>
<p>11. Entretanto, Vargas ganhara a simpatia dos trabalhadores, elegeu-se senador por vários Estados, e voltou à presidência em 1951, por grande  maioria popular. Criou a Petrobrás e deu passos para a fundação da  Eletrobrás. Apoiou os excelentes projetos de sua assessoria econômica e  cuidou de deter as abusivas remessas de lucros ao exterior das  transnacionais.</p>
<p>12. Se prosseguissem as realizações de Vargas, o Brasil teria chances &gt; de se desenvolver, e esse foi o móvel do golpe de agosto de 1954, &gt; organizado pelas potências imperiais.</p>
<p>13. Os agentes externos postos por esse golpe na direção da política econômica instituíram enormes subsídios em favor dos investimentos das transnacionais, que operavam em muitos mercados no exterior, cada um de dimensões muito maiores que o brasileiro.</p>
<p>14. Em vez de proteger as indústrias de capital nacional para viabilizar &gt; competirem com as transnacionais, aquelas sofreram discriminação, com &gt; os imensos subsídios que só podiam ser utilizados pelas corporações &gt; estrangeiras.</p>
<p>15. Eleito para o quinquênio 1956-1960, Juscelino manteve esses  subsídios e estabeleceu facilidades adicionais para as empresas estrangeiras. Implantadas no País, estas transferem ao exterior, de diversas maneiras, os enormes lucros obtidos no mercado brasileiro,  causando déficits no Balanço de Pagamentos.</p>
<p>16. Primeira cena dessa tragicomédia: eleito, antes de tomar posse, JK  viajou ao exterior para atrair investimentos estrangeiros, com notórios  entreguistas na comitiva. Segunda cena: sai JK, entra Jânio Quadros, e  este envia ao exterior missão chefiada por Roberto Campos para rolar  dívidas externas vencidas, contratadas durante o governo de JK.</p>
<p>17. Depois do conturbado período entre a renúncia de Jânio e o golpe de  1964, derrubando Goulart, o primeiro governo militar, a pretexto de  fazer face à alta da inflação e à crise externa, adotou, sob a direção  de Roberto Campos, políticas fiscal, monetária e de crédito restritivas, &gt; eliminando grande número de empresas nacionais.</p>
<p>18. As lições econômicas disso tudo são importantes, como também as  lições políticas. Entre elas avulta esta: prevalece sobre a Constituição escrita a regra constitucional, não-escrita, de que os  governos em regime “democrático” só concluem seus mandatos, se se  curvarem às pressões das potências imperiais.</p>
<p>19. Vargas e João Goulart realizaram políticas que visavam a gerar maior  autonomia econômica para o País, embora fizessem concessões ao poder  imperial.</p>
<p>20. Diferentemente, Dutra cedera aos interesses das potências estrangeiras, e JK deu-lhes plena satisfação no essencial: a abertura  aos investimentos estrangeiros, escancarada pela outorga de privilégios  que permitiram as transnacionais, a médio prazo, assenhorear-se do  mercado brasileiro.</p>
<p>21. Até a proteção tarifária e não-tarifária aos bens duráveis  produzidos no Brasil significou uma vantagem a mais às multinacionais,  ampliada, quando, em 1969-1970, Delfim Neto estabeleceu vultosos  subsídios para a exportação de manufaturados, entre os quais créditos  fiscais no valor do imposto de importação dos bens de capital e dos insumos.</p>
<p>22. Os governos militares de 1967 a 1978 tentaram redinamizar a economia  sem alterar o modelo dependente, nem garantir espaço às empresas nacionais em face da então já dominante ocupação do mercado pelas transnacionais. O resultado disso nos leva a outro aniversário.</p>
<p><strong>II &#8211; Agosto/setembro de 1982</strong></p>
<p>23. Em 16.08.1982, o México declarou moratória. Em seguida, o setembro negro, em que os gestores da política econômica brasileira, sob o espectro da inadimplência, imploraram aos banqueiros internacionais &gt; refinanciar as dívidas.</p>
<p>24. A crise de 1982 foi muito maior a de 1961, gerada pelas políticas de  1954 a 1960. A causa essencial de ambas foi a mesma: a ocupação dos  mercados pelas transnacionais, intensificada de 1964 a 1982</p>
<p>25. JK recebeu a dívida externa de US$ 1,4 bilhão em 1955. Ao sair, deixou US$ 3,5 bilhões. Em 1964 ela fechou com* *US$ 3,1 bilhões, pulando para US$ 43,5 bilhões, em 1978, e *para US$ 70,2 bilhões em  1982, tendo-se avolumado ainda mais pela elevação das taxas de juros e  comissões, em 1979, além da composição desses encargos arbitrários.</p>
<p>26. As altas taxas de crescimento do PIB de 1967 a 1978 foram pagas pelo  povo brasileiro, não só com a queda do PIB, de 1980 a 1984, e a  estagnação nas duas décadas perdidas (anos 80 e 90). Em 1984, o Brasil  transferiu para o exterior 6,24% do PIB e mais 5,54% em 1985.</p>
<p>27. Mas *o dano maior &#8211; e irreversível sob as presentes instituições &#8211; é  a deterioração estrutural. Essa prossegue até hoje e se caracteriza pela infra-estrutura deficiente e pela produção quase totalmente desnacionalizada, inclusive através das privatizações de 1990 a &gt; 2002.</p>
<p>28. Há um *processo cumulativo em que a desnacionalização faz crescer a  dívida, e esta é usada como pretexto para desnacionalizar mais*. Tudo  isso faz prever novas e piores crises, em que cresce a  desindustrialização.</p>
<p>29. As débâcles, como a de 1982, ilustram a mentalidade servil diante  dos “conselhos” e pressões imperiais, pois o Estado brasileiro curvou-se  às imposições dos credores, aceitando a integralidade de dívidas &gt; questionáveis, depois de tê-las alimentado, subsidiando a ocupação &gt; estrangeira da economia e inviabilizando a tecnologia nacional.</p>
<p>30. “O Globo” veicula a desculpa de Delfim Neto, de que o colapso de  1982 decorreu da elevação dos preços do petróleo. Isso não procede: a  Argentina não importava petróleo, e o México era grande exportador. O  denominador comum das maiores economias latino-americanas é o modelo  dependente.</p>
<p>31. Nos anos 70, a Petrobrás já substituía razoável quantidade de  petróleo importado, e as importações eram pequena fração das de Alemanha, Japão, França.</p>
<p>32. O primeiro choque do petróleo deu-se em 1973. Daí a 1982 são nove  anos. Tempo suficiente para medidas na estrutura produtiva, com  resultados em seis anos, antes, portanto, do segundo choque do petróleo  em 1979.</p>
<p>33. Tecnologia não faltava para substituir as importações de petróleo. O  Brasil havia adotado, durante a Segunda Guerra Mundial, uma solução que  funcionou muito bem: o gasogênio, para mover os veículos, com  equipamentos que usavam carvão mineral do Sul, carvão e óleos vegetais.  Foi abandonado após a Guerra, mas poderia ter sido retomado em 1973.</p>
<p>34. Geisel apoiou Severo Gomes e Bautista Vidal, no Programa do Álcool. Mas este não prosseguiu na forma planejada, nem se avançou nos Óleos  Vegetais, que oferecem ao Brasil grande campo – até hoje inaproveitado –  para produzir excelentes óleos e fabricar motores próprios para eles.</p>
<p>35. O dendê, na Amazônia e no Sul da Bahia, pode render mais de 6 mil &gt; litros hectare/ano. *Para produzir quase tanto como a Arábia Saudita,  ou seja, mais de cinco vezes o consumo brasileiro da época, bastaria plantar dendê em 60 milhões de hectares, ou seja, 12% da Amazônia  Legal, associado a culturas alimentares. Em outras regiões a macaúba dá 4 mil litros ha/ano.</p>
<p>36. Essas opções são mil vezes melhores para a ecologia que extrair  madeira para exportar, enquanto as ONGs vinculadas ao poder mundial  fazem demagogia a respeito do desmatamento da Amazônia.</p>
<p>37. O óxido de carbono só é absorvido pelas plantas quando crescem. A Amazônia, com a floresta estável, não é pulmão do mundo. Esse papel cabe aos oceanos, que as petroleiras mundiais poluem de modo brutal.</p>
<p>38. É fácil e praticado, há muito, na Alemanha, produzir kits para adaptar motores ao uso de óleo vegetal. Melhor seria, mas o sistema de  poder nunca o permitiu &#8211; produzir motores para esse óleo, o verdadeiro  diesel. Biodiesel é um dos golpes do sistema para impedir o  desenvolvimento dessas tecnologias, bem como as da química dos óleos vegetais e da alcoolquímica.</p>
<p>39. A deterioração das contas externas no final dos anos 70 serviu de  gazua para a penetração do Banco Mundial no Programa do Álcool,  desvirtuando-o, pois foi desvinculado da produção alimentar e tocado no  sistema de plantations e mega-usinas, hoje, na maior parte, desnacionalizadas. 40. Moral: *se houvesse* *autonomia política, coragem e discernimento,  ter-se-ia aproveitado o choque do petróleo para desenvolver produções  agrárias e industriais com tecnologia própria e adequada aos recursos  naturais*. Resultaria em prosperidade social incalculável com a energia  renovável, além de esse padrão de desenvolvimento autônomo estender-se a  outros setores.</p>
<p>41. Em suma, o mega-entreguismo de Collor e FHC não teria sido possível  sem as políticas inauguradas em 1954 e continuadas de 1956 a 1960 e de  1964 até hoje. Por que? Porque essas políticas engendraram a relação de  forças econômica e política determinante das desastrosas eleições &gt; daqueles dois.</p>
<p><strong>III &#8211; Sete de setembro de 1822</strong></p>
<p>Está, pois, claro que o povo brasileiro precisa de real independência e  que esta não existe. Não merece crédito o argumento de que há autonomia  política, embora falte a econômica, porquanto uma não é possível sem a  outra. Não se confunda a independência formal com a real.</p>
<p>- <strong>Adriano Benayon</strong> é doutor em economia e autor de Globalização versus Desenvolvimento.</p>
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		<title>Brasil privatizado e desnacionalizado</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Mar 2012 22:49:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Rogério Lessa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>

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		<description><![CDATA[Adriano Benayon * Cada vez mais, o nosso País vai sendo enredado na trama da oligarquia financeira e belicista imperial, cujo programa, no tocante ao Brasil, é evitar seu desenvolvimento, mantendo-o fraco, alienado e desarmado para sofrer, sem reação, o &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/benayon/2012/03/08/brasil-privatizado-e-desnacionalizado/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Adriano Benayon *</p>
<p>Cada vez mais, o nosso País vai sendo enredado na trama da oligarquia financeira e belicista imperial, cujo programa, no tocante ao Brasil, é evitar seu desenvolvimento, mantendo-o fraco, alienado e desarmado para sofrer, sem reação, o saqueio de seus recursos. Apontei, em artigo recente, algumas das razões pelas quais é muitíssimo enganosa a comemoração de o Brasil ter, agora, o sexto maior PIB do mundo.<span id="more-6"></span></p>
<p>2. Afora o que escondem as estatísticas, mormente consideradas isoladamente, o PIB quantifica somente a produção realizada em um país, sem oferecer ideia alguma a respeito de quem ganha com essa produção, nem quanto às necessidades de quem esta serve.</p>
<p>3. Por exemplo, os minérios extraídos de nosso subsolo são, em sua esmagadora maioria, destinados ao exterior, onde entram na produção de bens cujo valor agregado, em termos monetários, é maior que o dessas matérias-primas, dezenas e até centenas de vezes.</p>
<p>4. Na agropecuária e na agroindústria, a fabulosa dotação de terras aproveitáveis, de água e de sol pouco serve à qualidade de vida da grande maioria dos brasileiros, pois, no mínimo, três quartos das terras são usadas na pecuária extensiva para proporcionar carne barata aos importadores, e em mais de 70% dos 25% das terras restantes estendem-se culturas orientadas para a exportação de alimentos e de matérias-primas. Só a soja ocupa 40% da área cultivada, para fornecer farelo destinado, quase todo, à alimentação de animais no estrangeiro.</p>
<p>5. Nem mesmo a minoria dos brasileiros em condições econômicas e culturais para desfrutar de alimentação saudável, o consegue, porquanto a produção agrícola utiliza, em nível de recorde mundial, defensivos altamente tóxicos, produzidos por transnacionais estrangeiras. Estas fornecem, ademais, as sementes transgênicas, que causam a degradação da agricultura, a dependência e a insegurança nessa área estratégica, e ameaçam a sobrevivência das abelhas e das espécies vegetais.</p>
<p>6. Entre outros efeitos do modelo, o saldo das transações correntes do balanço de pagamentos partiu de resultado positivo, no quadriênio 2004-2007, de US$ 40,2 bilhões, para déficit US$ 149,2 bilhões de 2008 a 2011, ou seja, houve queda de US$ 189,4 bilhões (cifras apontadas pelo economista Flávio Tavares de Lyra).</p>
<p>7. Mais: o balanço das mercadorias ainda teve saldos positivos, em função da colossal quantidade exportada de bens primários, mas esses saldos são decrescentes. Como são crescentes os déficits dos balanços de rendas e de serviços (lucros, dividendos e juros remetidos oficialmente pelas transnacionais), os saldos negativos na conta corrente aumentam rapidamente.</p>
<p>8. Isso ilustra a preponderância das empresas com matrizes no exterior nas relações econômicas do Brasil. De 2008 a 2011, o déficit nos serviços acumulou US$ 99,4 bilhões, e o das rendas, US$ 256 bilhões.</p>
<p>9. Até há pouco, o balanço de pagamentos vinha sendo “equilibrado” pelo ingresso líquido de capitais estrangeiros, um pretenso remédio, que, na realidade, aumenta a doença estrutural da economia, algo como drogados sentindo alívio ao ingerir mais tóxicos, incrementando sua dependência.</p>
<p>10. Se, para compensar os déficits na conta corrente, não for suficiente a soma das entradas líquidas de investimentos diretos estrangeiros, mais a compra líquida de ações de empresas locais, o balanço de pagamentos só fecha através de empréstimos e financiamentos: elevando o endividamento externo. Ou a dívida interna, com os dólares convertidos em reais pelos aplicadores do exterior para auferir os juros mais altos do mundo.</p>
<p>11. Tais aplicações podem tomar o rumo de volta a curto prazo, junto com seus rendimentos mais apreciação cambial, devido: 1) à iminente nova recaída do colapso financeiro dos bancos no exterior, a despeito de terem sido socorridos com dezenas de trilhões de dólares e de euros por seus governos, satélites dos banqueiros; 2) ao efeito combinado disso com a previsível crise das contas externas, acarretando intensa fuga de capitais.</p>
<p>12. Isso fará acabar (temporariamente, pois a maioria das pessoas não gosta de encarar verdades desagradáveis) com muita ilusão acerca dos “êxitos” da economia brasileira. Esses, no que têm de real, deveram-se à exuberância dos recursos naturais e à capacidade de trabalho de muitos brasileiros e estrangeiros aqui radicados. Entretanto, o modelo dependente e entreguista impede o Brasil de colher os frutos dessas vantagens.</p>
<p>13. Na realidade, as crises, a estagnação, se não a decadência, no longo prazo, são consequências necessárias da estrutura econômica caracterizada pela desnacionalização, pela concentração e pela desindustrialização.</p>
<p>14. As três foram sendo implantadas segundo o modelo inculcado pelo império financeiro mundial nas mentes crédulas e/ou corrompidas de pseudo-elites e de classes médias subordinadas, resultando na deterioração estrutural, que se agrava continuadamente.</p>
<p>15. Neste momento, em que o “governo” petista leva adiante mais privatizações, é perda de tempo dar atenção às críticas do PSDB, que, quando esteve no “comando” da União Federal, de 1995 a 2002, fez que esta desse enorme salto qualitativo para o abismo, com privatizações em massa, grandemente danosas para o Brasil.</p>
<p>16. Ocioso também gastar tempo com as “justificações” dos petistas, cujos “governos” de 2003 até hoje (mais de nove anos), além de jamais terem tratado de corrigir o desastre estrutural intensificado pelos tucanos, vem-lhe adicionando mais medidas prejudiciais ao interesse nacional.</p>
<p>17. Conforme listagem formulada por Maria Lucia Fattorelli, coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, o governo do PT acumula as seguintes privatizações: 1) previdência dos servidores públicos (projeto do Executivo, por ser transformado em Lei no Congresso); 2) jazidas de petróleo, incluso o pré-sal (cujo marco regulatório foi alterado a gosto do cartel anglo-americano); 3) aeroportos mais rentáveis do País; 4) rodovias; 5) hospitais universitários; 6) florestas: 7) saúde, educação e segurança.</p>
<p>18. Claro que &#8211; à exceção do 1º e do 3º itens supra -, essas áreas já vinham sendo privatizadas em “governos” anteriores. Entretanto, não há como ignorar que o Executivo Federal e sua base parlamentar têm dado prosseguimento à radicalização do modelo entreguista, cuja primeira oficialização remonta ao golpe de 1954, resultado de conspiração que resultou na derrubada do Presidente Getúlio Vargas, urdida e executada por serviços secretos estrangeiros com apoio da 5ª coluna local,</p>
<p>19. É verdade que, mesmo enquanto Vargas foi presidente, já eram muito fortes as pressões e a influência das potências anglo-americanas sobre o Brasil, e ele, mais cauteloso que ousado e revolucionário, fraquejou em momentos decisivos, quando a única saída, já em 1952, seria o contra-ataque, inclusive alijando do Exército os principais oficiais simpáticos àquelas potências ou por elas cooptados.</p>
<p>20. Naquele ano, o ministro das Relações Exteriores e o chefe do Estado-Maior das FFAA negociaram acordo militar com os EUA, sem o conhecimento do ministro da Guerra, que se demitiu, quando Vargas consentiu com esse acordo. O presidente começou, então, a perder sua base militar e ser posto na defensiva pelos artífices da conspiração.</p>
<p>21. Por que fazer referência ao golpe de 24 de agosto de 1954 como marco do modelo que gradualmente espatifou o que restava de independência nacional? Porque, 20 dias depois, foram baixados regulamentos, como a Instrução 113 da SUMOC (nas funções de Banco Central), os quais permitiram que as subsidiárias das transnacionais importassem máquinas e equipamentos amortizados no exterior, mais que sucatados após mais de dez anos de uso, e o registrassem como investimento em moeda estrangeira, com altos valores.</p>
<p>22. Inaugurava-se assim a política de subsidiar as empresas estrangeiras e de tornar praticamente impossível a permanência no mercado de empresas brasileiras por muito tempo. Os subsídios foram sendo, por vezes substituídos e, em geral, acumulados.</p>
<p>23. JK não fez revogar quaisquer medidas do governo udeno-militar instalado com o golpe de 1954 e, ainda por cima, criou vantagens especiais para “incentivar os investimentos estrangeiros”. Em 1964/66 o czar da economia do presidente militar eleito pelo Congresso, com a colaboração de JK, após o novo golpe, Roberto Campos, deu grande impulso ao desbaratamento da indústria de capital nacional.</p>
<p>24. Apavorada pelo espantalho do comunismo, grande parte da classe média e dos militares deixou-se manipular pelo falso maniqueísmo da Guerra Fria, caindo nos braços do império anglo-americano. Em consequência, a desnacionalização e a concentração cresceram vertiginosamente até os dias de hoje.</p>
<p>25. De fato, nem sequer os dirigentes militares menos alinhados com os EUA, e menos ainda, os do regime instalado &#8211; sob a supervisão dos serviços secretos estrangeiro, durante e após a transição para a pseudo-democracia &#8211; trabalharam por conter a concentração econômica, nas mãos, cada vez mais, das transnacionais.</p>
<p>26. Assim, a estrutura econômica dos anos 90 em diante já era outra bem diferente da dos anos 50, quando ainda o voto popular não era totalmente teleguiado pelo dinheiro e pela grande mídia, a serviço dos concentradores, nem existiam redes de TV. Atualmente, os partidos políticos, quase todos, estão a serviço das transnacionais ou de bancos estrangeiros e locais.</p>
<p>27. Até 1964, o voto popular, que favorecia Vargas e seus seguidores, foi frustrado pelas intervenções a mando do estrangeiro, com a desestabilização de governos eleitos, apoiada pela grande mídia e fomentada pelas transnacionais e pelos governos dos países hegemônicos. Ou seja pelas “democracias ocidentais”, as quais, como hoje está claríssimo, nada tinham de democráticas e, agora, descambam para o estado policial internamente e para ostensivas e brutais agressões imperiais no exterior. JK foi o único que, eleito pelo voto popular, terminou seu mandato. Mas por que? O dito no parágrafo 23 o explica.</p>
<p>28. Ao longo dos governos militares, embora tenham sido cassados e afastados muitos nacionalistas das FFAA, não se cuidara de privatizações, e foram criadas novas estatais. Entretanto, nem mesmo após o primeiro daqueles governos, claramente pró-EUA, houve reversão das políticas favorecedoras das transnacionais e cerceadoras das empresas privadas de capital nacional.</p>
<p>29. Por isso, os “milagres” de JK e de alguns governos militares (altas taxas de crescimento do PIB), mostraram-se falsos e redundaram na explosão da dívida externa, no final dos anos 70, seguida da inadimplência em 1982, ficando o País à mercê dos fraudulentos credores externos.</p>
<p>30. Sem lideranças revolucionárias capazes de entender o desastre estrutural da economia e de lutar por revertê-lo, o Brasil submeteu-se aos famigerados planos Baker e Brady e ao Consenso de Washington. A Constituição de 1988 foi fraudada para privilegiar o serviço da dívida, o que levou a pagamentos astronômicos e, apesar deles, ao crescimento exponencial da dívida interna.</p>
<p>31. Seguiram-se privatizações sob o ridículo pretexto de obter recursos para o pagamento das dívidas, num processo em que o País gastou centenas de bilhões de reais para alienar patrimônios fantásticos. É isso que está sendo reativado agora, e não nos admira, pois, se FHC teve por meta destruir o que ficou da Era Vargas, o PT foi criado para dividir os trabalhadores, com mais um partido, este pretensamente de resultados, simpático às transnacionais e desprovido de consciência nacional.</p>
<p>* &#8211; Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento, editora Escrituras SP.</p>
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