O entreguismo insaciável da grande mídia

Por Adriano Benayon | Brasília 24/10/2014

 

O editorial de O Globo de ontem é uma deslavada profissão de fé do entreguismo, ao condenar qualquer reserva de mercado para empresa nacional.

Implica manter e ampliar a reserva de mercado totalitária que os carteis transnacionais exercem sobre a economia brasileira, ainda por cima favorecida por incontáveis e enormes subsídios da política econômica federal, estadual e municipal, incorporados às respectivas legislações.

Os defensores dos interesses imperialistas, que pretendem continuar aprofundando o atraso tecnológico do Brasil, ainda não estão satisfeitos com isso. Desejam radicalizar o entreguismo, não só aprofundando-o, mas estendendo-o a todas as áreas, inclusive as mais vitais e prioritárias para a segurança nacional, como as comunicações e a defesa.

Daí que VEJA e Globo e resto do GAFE, agindo em conjunto, fazem de tudo para promover a vitória de Aécio Neves nas eleições, contando, ademais, com a fraude das urnas eletrônicas, para que isso seja confirmado.

Somos obrigados, em face disso tudo, a votar em Dilma. Esta, como Lula, ainda levou em consideração alguma coisa em prol do País, embora de forma tímida e mantendo o essencial do desastre institucional e administrativo implantado pelos famigerados governos de Collor e de FHC, o tsunami tucano.

Deve-se também lembrar que a audácia e virulência dos ataques sofridos por Dilma decorrem, em parte da tibieza do PT, cujos governos têm sustentado a mídia entreguista e golpista com verbas publicitárias governamentais, bem como continuado a cumular as transnacionais e os bancos de privilégios intoleráveis, que vêm sendo consolidados e aumentados a cada mandato presidencial, com saltos, em geral, maiores nos “governos” assumidamente pró-imperiais, tucanos.

Com um generoso benefício da dúvida, poder-se-ia atribuir essa fraqueza e as concessões ao poder dominante, econômico à impotência para enfrentá-lo, já que ele comanda inclusive os demais poderes da República. Mas a realidade é que o império explora as indecisões das vítimas e as acua, colocando-se cada vez mais em posição de força.

Por isso, neste momento e no Brasil, mais do que em qualquer época e em qualquer lugar do mundo, liderança requer não só competência, mas coragem e audácia acima do comum.

O quadro é dos mais graves, e a grande tarefa dos brasileiros conscientes é eliminar o brutal déficit de informação e de senso de realidade de seus compatriotas, para viabilizar as verdadeiras mudanças institucionais de que o Brasil necessita urgentemente.

É uma tarefa imensa, mas indispensável: fazer reverter os efeitos profundos e disseminados do investimento em ignorância que a oligarquia financeira mundial tem feito no mundo e no Brasil, em especial, nos últimos 80 anos ou mais.

Ela tem de ser encarada, com maior intensidade, desde a noite em que sejam conhecidos os resultados do segundo turno.

*- Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização vs Desenvolvimento

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