O PSB, Marina e o futuro do Brasil. Carta a Roberto Amaral e Moniz Bandeira

Por Adriano Benayon

Dirijo-me aos compatriotas em face da resposta do presidente do PSB, Roberto Amaral, à carta do politólogo Moniz Bandeira, bem como da tréplica de Moniz, em que este volta a apontar fatos importantes sobre as conexões de D. Marina Silva com o império angloamericano.

Essas conexões, bem como as ações de Marina da Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente, de 2003 a 2008, e suas práticas anteriores e posteriores, a desqualificam para aspirar à presidência da República, a não ser na apreciação dos que atribuem valor zero à independência e à integridade do Brasil.

Moniz Bandeira fez alusões que propiciaram ao presidente do PSB desviar-se da questão fundamental, ao referir-se à premonição que teve e que, de imediato, comunicou a amigo comum dele e de Eduardo Campos, logo que este cometeu o erro capital de associar-se a Marina da Silva. Assim se expressou o historiador:

“Uma vez que há muitos anos estou a pesquisar sobre as shadow wars e seus métodos e técnicas de regime change, de nada duvido. E o fato foi que conveio um acidente e apagou a vida do governador Eduardo Campos. E assim se abriu o caminho para a Sra. Marina Silva tornar-se a candidata à presidência do Brasil.”

Em sua réplica, Amaral justificou-se nestes termos: “Militante engajado, tenho compromissos com projetos, ideias e valores expressos em programa partidário que não pode ser alterado ao sabor de especulações como a de que a queda de uma aeronave resultou de conspiração estrangeira. Tampouco posso guiar-me por “premonições”. A famosa ‘realidade objetiva’ não me permite.”

Ora, sem provas em mãos – e estas não costumam aparecer – pôr a ênfase no possível atentado com a aeronave, é oferecer argumentos para mudarem de assunto.

O que não há como justificar, nem elidir, é a incompatibilidade, entre, de um lado, as posições e a história do PSB, e, de outro lado, as posições e a história de Marina da Silva. Essa incompatibilidade é o que há de mais objetivo. Nada, absolutamente nada, tem que ver com premonições e especulações.

Não menos objetiva é esta realidade: se o PSB fosse um partido de verdade – e esperemos que ainda prove que o é – o candidato em substituição a Eduardo Campos teria de sair de seus quadros, já provados por sua coerência com os princípios partidários, ao longo de anos.

E, repita-se, poucas pessoas têm trajetória tão divergente desses princípios como D. Marina, a qual, ao associar-se ao PSB, há poucos meses, era somente a cabeça de uma Rede, que nem sequer lograra constituir-se em partido.

Pior ainda: o erro original foi do próprio Eduardo Campos, ao fazer aliança com essa Rede de ONGs e igrejas pró-imperiais. Que isso tenha sido possível, denota que o PSB carecia de consistência política e capacidade de aspirar a um papel protagonista na política brasileira.

A pobreza do PSB como partido, que precisa ser desmentida por atos, e não, por cartas literárias, está sendo demonstrada por ter o PSB ficado a reboque de uma candidatura patrocinada pela oligarquia financeira angloamericana e por seus adeptos no subordinado subcapitalismo local.

Também é de estarrecer a ausência de protestos, pelo menos, em público, por parte de dirigentes do partido e de candidatos às próximas eleições, que tivessem a coragem e a altivez de renunciar a suas candidaturas diante do achincalhe às tradições do partido, que foi sua acoplagem a reboque da Rede.

Um partido de verdade não pode ter donos, nem ser objeto de sucessões hereditárias, como a de Arraes, para Campos, e agora supostamente para sua viúva, sem poderes reais, em face da ascendência de D. Marina. Não a desqualificaria ser viúva, se tivesse demonstrado por ação política própria condições de exercer liderança sobre ele.

Diante da mediocridade e da falta de comprometimento com os interesses nacionais dos partidos com maior representação eleitoral, só podemos concluir que o sistema político presente inviabiliza a verdadeira representação dos cidadãos e que a oligarquia imperial está colhendo os frutos de golpes, não só os militares, e do investimento na promoção da covardia e da deterioração dos valores.

Não convencem, de forma alguma, declarações de Roberto Amaral, como estas: “O PSB não abandonará o embate contra as desigualdades sociais, pela reforma agrária, pela defesa do meio-ambiente, pelo domínio de novas tecnologias, pela ampliação e melhoria do sistema de ensino e pela segurança do cidadão; não renunciará à luta pelos grandes projetos estratégicos, sejam os de infraestrutura para o desenvolvimento social e econômico, sejam os que darão suporte ao seu papel como ator global.”

Na realidade, atrelando-se a uma candidatura anti-social e antinacional, claramente patrocinada pelo império angloamericano, que, desde o golpe de 1954, vem intervindo no País para desnacionalizar sua economia e torná-lo zona de predação dos recursos naturais, o PSB já abandonou todas as posições que Roberto Amaral enunciou no parágrafo acima.

Amaral anda não renunciou à presidência do PSB. Não deveria ter renunciado, desde que, juntando-se aos que se mantêm fieis ao partido, tivesse desautorado a candidatura adotada após a morte de Eduardo Campos

Para ser honesto, tenho de reconhecer que o PSB já havia renegado seus princípios e suas origens, ao tolerar que seu ex-presidente e candidato à presidência da República ligasse sua candidatura à de Marina Silva.

Roberto Amaral ainda afirma; “Mancharia minha biografia se, acossado por premonições e pela libertinagem do “livre pensar”, optasse pela cômoda retirada nesse momento tão rico da construção da democracia brasileira.”

Essa patética declaração, até por apresentar visão cor-de-rosa da realidade brasileira, inteiramente estranha aos fatos, deixa patente ter o presidente do PSB assumido posição oficialista de alinhamento a D. Marina. Ele justifica a adesão por ter de “zelar pelo cumprimento de nossos compromissos programáticos, observada a realidade objetiva”.

Ora, de novo, nada mais gritante que a contradição entre esse alinhamento e os compromissos programáticos do PSB. A agressão à lógica parece provir de uma mente conturbada e incapaz de encontrar explicação plausível para a falta de atitude em face das responsabilidades que recaíram sobre seus ombros.

Uma mente racional não consegue atinar com o sentido da acaciana ressalva “observada a realidade objetiva”. Ademais, a vida pregressa e as posições e ligações, atuais e pregressas, de D. Marina fazem parte da realidade objetiva.

O transtorno aparece também ao associar “livre pensar” e libertinagem. Só os totalitários injuriam o livre pensamento, qualificando-o como “libertinagem”.

Como apêndice, transcrevo mais elementos elucidativos aduzidos por Moniz Bandeira, em sua tréplica, sobre as conexões de D. Marina.

Alertou para a interferência da Open Society Foundation, do magnata George Soros, e da New Endowment for Democracy e da própria USAID, além de ONGs que assumiram a função de promover mudanças de regimes e patrocinaram as demonstrações da “Primavera Árabe” e na praça Maidan, em Kiev, Ucrânia”, pois estariam por trás da candidatura da ex-senadora Marina Silva à presidência da República.

A seguir: “Também constituem fatos as declarações da Sra. Marina Silva, em favor da privatização do Banco Central, contra o Mercosul, de interferência nos assuntos internos de Cuba, contrariando as linhas da política exterior do Brasil e, inter alia, de realinhamento com as diretrizes de Washington. Elas não são compatíveis com as tradicionais linhas ideológicas do PSB.”

Ainda Moniz Bandeira aponta que Marina Silva acervou em três anos R$ 1,6 milhão (um milhão e seiscentos mil reais), com conferências, e se recusa a revelar a fontes pagadoras.

Cita, ainda, os elogios rasgados de Michael Shifter, presidente do Diálogo Inter-americano, sediado em Washington: “If elected, she has such a remarkable personal story that she’d come to the presidency with a lot of legitimacy, tremendous excitement and high expectations”.

Concluindo: “Não se pode descartar a forte probabilidade de que Sra. Marina Silva, se eleita, faça o Brasil renunciar à produção de urânio enriquecido e aos programas do submarino nuclear e de rearmamento das Forças Amadas do Brasil.”

Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização vs Desenvolvimento

Eleições e coisas sérias

Por Adriano Benayon | Brasília, 19/09/2014

 

Os candidatos que se apresentam em oposição à atual presidente, com chances – tanto Marina, como Aécio – dizem-se defensores da “liberalização” da economia brasileira.

2. Na verdade, adotam ostensivamente o projeto pró-imperial, como decorre não só de seus “programas”, mas também de suas trajetórias e de quem os financia; do apoio da grande mídia, instrumento tradicional dos concentradores econômicos transnacionais e locais; dos formuladores de suas políticas econômicas, ligadíssimos à oligarquia financeira angloamericana.

3. A atual presidente, tal como Lula, tampouco significa a perspectiva de que o Brasil reverta a lamentável condição a que tem descido desde o golpe de 1954, quando se institucionalizou a dependência financeira e tecnológica, através da desnacionalização da indústria e dos demais setores da economia.

4. Os governos do PT consolidaram esse processo, acelerado por mandatários radicalmente servis ao império angloamericano, como Collor e FHC, investidos na presidência por meio de golpes eleitorais em 1989, 1994 e 1998.

5. Os petistas diferiram deles, principalmente ao: a) reduzir um pouco as taxas de juros,o que não evitou a dívida pública crescesse, nem a conta anual dela, a qual consome 40% das receitas públicas; b) aumentar o valor real do salário mínimo e ampliar as políticas sociais; c) elevar substancialmente a oferta de crédito, através dos bancos públicos, e os investimentos em infra-estrutura, cujos resultados não têm sido proporcionais ao volume de dinheiro provido a baixo custo.

6. Tais empréstimos têm feito acentuar a concentração e a desnacionalização, pois favorecem as grandes empreiteiras, grupos concentradores, sobre tudo, transnacionais. O mesmo efeito resulta das “parcerias público-privadas (PPPs), em que o Estado banca o capital, assume o risco, e os parceiros privados obtêm lucro garantido.

7. Isso decorre das reformas desestruturadoras impostas pelo império angloamericano, aceleradas desde 1990, em função das privatizações e da deterioração da administração pública.

8. Esta adveio de: a) a colocação dos setores-chave da economia sob o comando das agências reguladoras, infiltradas por “técnicos” ligados às transnacionais estrangeiras; b) óbices inseridos na legislação, como a lei de licitações e as restrições ambientais para tolher o desenvolvimento; c) queda de qualidade dos quadros da administração; d) temores desses quadros de assumir responsabilidades, sob a mira do Ministério Público, influenciado por ONGs financiadas pela oligarquia financeira estrangeira, e em face do TCU, sobre o qual agem essas e outras forças contrárias aos interesses nacionais.

9. Nesse contexto, o PIB ainda cresce, devido, em grande parte, à produção e à exportação intensivas de recursos naturais. Mas o pesado déficit que se vem acumulando nas transações correntes com o exterior, denuncia as terríveis deficiências estruturais da economia brasileira.

10. Entre essas, o gap (hiato) tecnológico que a distancia das economias dos países que não entregaram suas empresas ao controle de transnacionais estrangeiras, como até a pequena Coreia.

11. Esse hiato já era muito grande, nos anos 80, e só fez aumentar desde então, dado que a entrega do mercado brasileiro às transnacionais, iniciada em 1955, continuou acelerando-se, e tecnologia só se desenvolve onde há empresas nacionais competindo no mercado interno e, depois, passando a exportar bens de elevado valor agregado.

12. Além disso, o Brasil é sugado pelo endividamento, numa intensidade inacreditável, mormente a partir da crise da dívida externa de 1982, que não foi negociada soberanamente. Ao contrário, os governos submeteram-se ao “sistema financeiro internacional” nessa e em posteriores crises.

13. Isso levou a colossais pagamentos em 1989 e 1990, logo após a Constituição de 1988, na qual foi acrescido ao art. 166, § 3º, inciso II, por meio de fraude, dispositivo que privilegia as despesas do “serviço da dívida” e facilita a aprovação dessas despesas em montantes absurdos.

14. Atualizado monetariamente, o serviço da dívida custou R$ 1,8 trilhão em 1989/1990, quantia cuja média anual equivale a 17% do atual PIB e a incríveis 34% do PIB de então. De 1991 a 1994, a média, embora caísse muito, ainda foi excessiva, cerca de 11% do PIB.

15. De 1982 a 1988 o Tesouro acumulou verbas, em moeda nacional, muito maiores do que poderia, sem enorme prejuízo para os investimentos públicos, visando a cumprir o determinado nas pseudonegociações com os banqueiros para o serviço de dívidas não auditadas, inclusive as do setor privado, assumidas pela União, e infladas por taxas de juros e numerosas taxas bancárias inaceitáveis.

16. Esse perverso processo, incluiu a entrada de dólares no País (facilmente criados, do nada, pelos bancos da oligarquia mundial), a fim de retornarem para eles, através dos pagamentos da dívida pública, para os quais as verbas amealhadas em moeda nacional, para esse fim, puderam ser convertidas em dólares.

17. Com efeito, mesmo refreando os investimentos, desde 1982, o País não obtinha moeda estrangeira, sem depender dos bancos “credores”, porquanto não teve, em toda a década dos anos 80, saldos positivos nas transações correntes com o exterior.

18. Nos anos 80, o governo militar havia instituído a Lei da Informática e deu continuidade a projetos tecnológicos na esfera estatal, limitados, porém, pelas dificuldades orçamentárias condicionadas pela formação dos superávits primários.

19. Na transição, Sarney só resistiu às pressões dos banqueiros e demais concentradores nos primeiros meses, e, ao entrar em cena a pseudo-democratização, foi eliminado o que restava de medidas pró-indústria nacional.

21. De fato, adicionando mais danos aos danos resultantes do empobrecimento do País através do serviço da dívida e das transferências de ganhos das transnacionais, vieram, a partir de 1991, as liquidações de empresas estatais e a privatização em massa, sob o ridículo pretexto de que a desestatização proporcionaria recursos para pagamentos da dívida.

22. Em 1988, a Constituição – sob influências pecuniárias e midiáticas nada sensíveis aos interesses nacionais – nasceu desfavorável, ao desenvolvimento do País, haja vista, entre outros, o art. 164, que tira do Tesouro o poder de emitir moeda, e o coloca à mercê dos banqueiros, e recepcionando a famigerada Lei 4.595, de dezembro de 1964.

23. O quadro tornou-se ainda mais desolador com as emendas constitucionais promovidas por Collor e por FHC, destruidoras de qualquer pretensão à independência nacional. Entre essas, a que suprimiu a distinção entre empresas de capital nacional e de capital estrangeiro (a CF já considerava brasileira qualquer empresa constituída no Brasil de acordo com as leis brasileiras).

24. Nada disso foi revertido. Assim, sob as atuais estruturas do Estado e do setor privado, mesmo havendo crédito público considerável, a juros accessíveis, o grosso dele não é aproveitado para investimentos produtivos.

25. Mesmo quando o é, isso não traz proveito para a economia nacional, porquanto esses investimentos fazem intensificar a concentração da economia, realizados que são por um setor privado desnacionalizado e concentrado, cujos lucros são carreados, na maior parte, para o exterior.

26. Tudo prejudica os investimentos, especialmente os de empresas médias e pequenas: a taxa de câmbio supervalorizada e o capital de giro caro, consequências do desequilíbrio crônico nas transações correntes com o exterior e da atração de dólares para cobrir esse déficit, conducente a altas taxas de juros internas.

27. Além disso: absurdas tarifas da energia, resultado do pavoroso modelo de gestão do setor, “orientado” por um conceito fajuto de “mercado; a lastimável estrutura de transportes, formada para propiciar mais lucros às montadoras estrangeiras de veículos (até as estradas esburacadas contribuem para isso); impostos elevados, para a receita ser gasta com a dívida pública.

28. Se se quer desenvolvimento, o caminho não é continuar dando isenções e subsídios às transnacionais, nem oferecer-lhes crédito público a baixos juros.

29. O País necessita, com urgência, de mudança estrutural, dotando o Estado de poder e de meios para promover o desenvolvimento e viabilizar empresas de capital nacional em condições de competir em produções intensivas de tecnologia e com elevado valor agregado.

30. Tudo isso só é possível, se o sistema político for alterado, e as eleições não continuarem à mercê dos concentradores financeiros e dos carteis transnacionais, nem da mídia a serviço deles.

31. Em suma, se ficarmos pensando só nas eleições, as coisas agravar-se-ão, com Dilma e mais ainda com Aécio, e muito mais com Marina, ligadíssima ao império.

*- Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.

Brasil. Como sobreviver?

Por Adriano Benayon | Brasília, 01/09/2014

 

As TVs e a grande mídia promovem intensamente a candidata que surgiu com a morte do desaparecido na explosão. Marina da Silva costuma ser apresentada como defensora do meio-ambiente e como diferente de políticos que têm levado o País à ruína financeira e estrutural, como foram os casos, em especial, de Collor e de FHC.

2. Mas Marina não representa ambientalismo algum honesto, nem qualquer outra coisa honesta. O que tem feito é, a serviço do poder imperial angloamericano, usar a preservação do meio ambiente como pretexto para impedir – ou retardar e tornar absurdamente caras – muitas obras de infra-estrutura essenciais ao desenvolvimento do País.

3. Pior ainda, a tirania do poder mundial, com a colaboração de seus agentes locais, já ocupa enormes áreas, notadamente na região amazônica, para explorar não só a biodiversidade, mas os fabulosos recursos do subsolo, verdadeiro delírio mineral, na expressão do falecido Almirante Gama e Silva, profundo conhecedor da região e, durante muitos anos, diretor do projeto RADAM.

4. Além da pregação enganosa sobre o meio ambiente, o império vale-se de hipocrisia semelhante em relação à pretensa proteção aos direitos dos indígenas, a fim de apropriar-se de imensas áreas, que os três poderes do governo têm permitido segregar do território nacional, pois brasileiro não entra mais nelas.

5. As ONGs ditas ambientalistas, locais e estrangeiras, financiadas pela oligarquia financeira britânica, como a Greenpeace e o WWF (Worldwide Fund for Nature) trabalham para quem as sustenta, não estando nem aí para o meio-ambiente.

6. Isso é fácil de notar, pois não dão sequer um pio contra a poluição dos mares, produzida pelo cartel anglo-americano do petróleo: a mais terrível poluição que sofre o planeta, pois os oceanos são a fonte principal do oxigênio e do equilíbrio da Terra.

7. Marina foi designada ministra do meio ambiente, em Nova York, quando Lula, antes de sua posse, em janeiro de 2003, foi peitado por superbanqueiros, em reunião após a qual anunciou suas duas primeiras nomeações: Meirelles para o BACEN e Marina Silva para o MMA.

8. Empossada no MMA, Marina, nomeou imediatamente secretário-geral do ministério o presidente da Greenpeace, no Brasil.

9. Marina foi dos poucos brasileiros presentes, quando o príncipe Charles reuniu, na Amazônia, outros chefes de Estado da OTAN e caciques das terras que ele e outros membros e colaboradores da oligarquia mundial já estão controlando por meio de suas ONGs e organizações “religiosas”, como igreja anglicana, Conselho Mundial das Igrejas etc.

10. Todos deveriam saber que os carteis britânicos da mineração praticamente monopolizam a extração dos minerais preciosos, e a maioria dos estratégicos, notadamente no Brasil, na África, na Austrália e no Canadá.

11. Os menos desavisados entenderam por que Marina desfilou em Londres, nas Olimpíadas de 2012, única brasileira a carregar a bandeira olímpica.

12. É difícil inferir que o investimento da oligarquia do poder mundial em Marina da Silva visa a assegurar o controle absoluto pelo império angloamericano das riquezas naturais do País?

13. Algo mais notório: a mentora ostensiva da candidatura de Marina é a Sra. Neca Setúbal, herdeira do Banco Itaú, o que tem maiores lucros no Brasil, beneficiário, como os demais, das absurdas taxas de juros de que eles se cevam desde os tempos de FHC, insuficientemente reduzidas nos governos do PT.

14. Não há como tampouco ignorar as conexões do Itaú e de outros bancos locais com os do eixo City de Londres e Wall Street de Nova York.

15. D. Marina nem esconde desejar que o Banco Central fique ainda mais à vontade para privilegiar os bancos a expensas do País, que já gasta 40% de suas receitas com a dívida pública, sacrificando os investimentos em infra-estrutura, saúde, educação etc.

16. Contados os juros e amortizações pagos em dinheiro e os liquidados com a emissão de novos títulos, essa é despesa anual com a dívida pública, a qual, desse modo, cresce sem parar (já passa de quatro trilhões de reais).

17. Ninguém notou que Marina – além de regida pelo Itaú – já tem, para comandar sua política uma equipe de economistas tão alinhada com a política pró-imperial como a que teve o mega-entreguista FHC, e como a de que se cercou Aécio Neves?

18. Como assinalou Jânio de Freitas, Marina e Aécio se apresentam com programas idênticos. Na realidade, é um só programa, o do alinhamento com tudo que tem sido reclamado pela mídia imperial, tanto pela do exterior, como pela doméstica.

19. Da proposta de desativar o pré-sal – a qual fere mortalmente a Petrobrás, que ali já investiu dezenas de bilhões de reais, e beneficia as empresas estrangeiras, as únicas, no caso, a explorá-lo – até à substituição do MERCOSUL por acordos bilaterais – como exige o governo dos EUA – Marina e o candidato do PSDB estão numa corrida montando cavalos do mesmo proprietário, com blusas idênticas, diferenciadas só por uma faixa.

20. Por tudo, a figura de Marina antagoniza o pensamento do patrono do PSB, João Mangabeira, e o de seu fundador, Miguel Arraes, cujas memórias estão sendo rigorosamente afrontadas.

21. Não há, portanto, como admitir que os militantes do PSB fiquem inertes vendo a sigla tornar-se instrumento de interesses rapinadores das riquezas nacionais e prestando-se a que oligarcas internos e externos se aproveitem do crédito que os grandes nomes do Partido granjearam no coração de milhões de brasileiros de todos os Estados.

22. Há, sim, que recorrer a medidas apropriadas, previstas ou não, nos Estatutos do Partido, para que este sobreviva e ajude o Brasil a sobreviver.

23. De fato, estamos diante de um golpe de Estado perpetrado por meios aparentemente legais, incluindo as eleições. Parafraseando o Barão de Itararé, há mais coisas no ar, além da explosão de avião contratado por um candidato em campanha.

24. A coisa começou quando políticos e parlamentares notoriamente alinhados com os interesses da alta finança, e outros enrustidos, articularam a entrada de Marina na chapa do PSB, acenando a Eduardo Campos com o potencial de votos e de grana que ela traria.

25. Fazendo luzir a mosca azul, a Rede o pegou como peixes de arrastão.

26. Alguém viu a foto de Marina sorrindo no funeral do homem? Alguém notou que, imediatamente após a notícia da morte dele, a grande mídia, em peso, dedicou incessantemente o grosso de seus espaços à tarefa de exaltar D. Marina?

27. Os golpes, intervenções armadas e n outras interferências, por meio de corrupção, praticadas a serviço da oligarquia financeira angloamericana, em numerosos países, inclusive o nosso, desde o Século XIX, deveriam alertar-nos para dar mais importância a contar com bons serviços de informação e de defesa.

28. Golpes de Estado podem ser dados através de parlamentos, poderes judiciários, além de lances como os que estão em andamento. Agora, a moda adotada pelo império angloamericano, como se viu em Honduras e no Paraguai, na suposta primavera árabe, na Ucrânia etc., é promover golpes de Estado, sem recorrer às forças armadas, as quais, de resto, no Brasil, têm sido esvaziadas e enfraquecidas, a partir dos governos dirigidos por Collor e FHC.

* – Adriano Benayon é doutor em economia, autor do livro Globalização versus Desenvolvimento e ainda filiado ao PSB.