A Argentina, a nova Guerra Fria e o Império

Por Adriano Benayon

A situação da Argentina e a investida dos abutres deve ser encarada no contexto da atual guerra fria do império com a Rússia. Também a violência, sustentada pelo império, através do Estado sionista na faixa de Gaza, deve ter interconexão com a guerra anti-Rússia e com o caso da Argentina.

Corro o risco calculado de, novamente, despertar reações de desagrado dos que, em vez de discutir o objeto de que se trata, se manifestam contrariados por ter sua sensibilidade afetada por afirmações julgadas peremptórias e com as quais não concordam.

Não deveria ser necessário, para poder expor nossos pontos de vista, que os embalássemos em escusas ou ressalvas do tipo: salvo melhor juízo: acho. Etc. Compreendo, porém, que, tal o esquema tirânico (algo muito pior que ditatorial) da mídia dominante no Ocidente, que as pessoas estranhem muito o que alguns de nós têm a dizer, especialmente os que recebemos matérias de fontes independentes dessa mídia e até as procuramos.

Primeiramente, a Argentina é o único país latinoamericano que, graças à mobilização popular, conseguiu, há pouco mais de dez anos, derrubar o governo (nos outros, os governos só têm sido apeados por golpes militares, ou agora pelos da moda, via Parlamento, sempre regidos pelo império).

Além disso, entre os latinoamericanos de maior dimensão econômica, é o único que levou a efeito auditoria da dívida e a renegociou, logrando reduzi-la substancialmente, de sorte que é o único cujas possibilidades de investimento público não estão manietadas pelo serviço da dívida.

Não bastasse, seu governo está entre os tachados de esquerda, aplica uma lei de meios de comunicação, tem feito algumas reestatizações etc. Não bastassem essas coisas, estaria conversando para entrar nos BRICS e ampliando suas relações com a Rússia.

Ao mesmo tempo, temos, em 2014, entrado num período de relações mundiais, em que os EUA e seus satélites passaram da fase de atacar e destruir países de menor porte, e estão intensificando sua escalada de ataques e provocações contra uma grande potência, não do mesmo porte, mas ainda assim uma grande potência, a Rússia.

Não só impondo sanções e forçando a UE a aplicá-las, mas usando a Ucrânia para ataques diretos, após ter promovido ali um golpe de Estado, com forte participação de elementos nazistas.

Ou seja, estão fazendo tudo que podem para causar uma 3ª Guerra Mundial, em que planejam – a risco de destruir completamente o Planeta – dar solução de continuidade ao processo de surgimento de uma multipolaridade do poder mundial, adveniente basicamente da aproximação e intensificação das relações econômicas entre a Rússia e a China, incorporando países da Ásia Central, Irã e outros. Mormente, com o reimimbi perfilando-se como muito mais confiável que o dólar para ser a principal moeda de reserva, além do início de operações de comércio internacional de certo vulto não sendo liquidadas em dólar ou euro.

Com as informações que acompanho sobre fatos bem anteriores, tais como a origem da 2ª Guerra Mundial, não constitui novidade alguma que oligarquia financeira angloamericana utilize nazistas para seus objetivos, inclusive porque ela foi decisiva para a entrega da Chancelaria a Hitler em janeiro de 1933, um instrumento dela com que contou para desencadear aquele tão longo e inusitadamente letal e genocida conflito.

Também conheço a utilização de elementos fascistas e nazistas por parte da CIA e do MI-6 no golpe que derrubou Getúlio Vargas em 1954, golpe de tão fatídicas consequências para a indústria nacional e para a própria independência de nosso País.

A agressão à economia argentina, com a decisão judicial em favor dos fundos abutres, equivale às sanções econômico-financeiras que os EUA, há tempos, aplicam contra o Irã e, mais recentemente, à Rússia. Pode sinalizar este recado: agora está começando a guerra mundial, e os países menores, notadamente os latinoamericanos, nosso velho quintal, têm que se alinhar, têm de compreender onde está a força, e inclinar-se diante dela.

A Argentina deveria significar que não tem por que submeter-se ao judiciário dos EUA, inclusive porque não a obriga a isso o direito internacional. E precisará de muita decisão e coragem para isso, pois sofre, há tempos, intervenção para desestabilizar o governo de Cristina Fernandez.

Ao enfrentar o presente desafio dos abutres e dos EUA, terá ainda mais trabalho, pois essa intervenção será intensificada, conforme os métodos tradicionais, e alimentada por vultosa corrupção através dos inesgotáveis dólares emitidos com meros clics nos computadores dos bancos do eixo Wall Street / City de Londres e de seus incontáveis braços nas bases offshore.

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